Má fama

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Eu estava segurando uma daquelas garrafinhas de 310ml de água, daquelas bem pequeninhas, bem gordinhas, quando parei na fila do ônibus. Abri e enquanto bebia, notei que alguém me observava com especial atenção. Era um senhor.

Não, não era paquera. Não era admiração. Era um olhar curioso, intrigado, de dúvida, com direito à testa franzida e tudo. Segurei o olhar e dei com ele aquela permissão para a abordagem, que acabou acontecendo segundos depois. Quando a garrafa esvaziou, ele fez para mim aquele gesto universal de “bebendo alguma coisa”, que consiste em fazer com a mão um sinal de positivo e levá-la à boca. De onde estava, ele me fez uma pergunta sem emitir som algum, que eu matei com leitura labial: “cachaça?!”.

Longe de mim me dar tanta importância a ponto de achar que muita gente me observa na rua, mas se esse homem teve essa dúvida, eu já pirei aqui com uma situação hipotética em que meia dúzia de pessoas me veem diariamente chegando na fila e pensam lá com seus botões: “olha quem vem vindo ali, lá vem ela, lá vem a cachaceira com seu Velho Barrero de bolso”. Devo estar falada na fila do BRT. Definitivamente, não foi isso o que eu sonhei pra mim.