Mamãe superprotetora

Minha mãe é do tipo superprotetora. Como a maioria, aliás. Foi assim com as filhas, com as sobrinhas e é agora com a neta.

Quando eu e minha irmã começamos a ir sozinhas para a escola, ela dizia sempre a mesma coisa: “garotas, quando forem atravessar a rua, olhem para um lado e para o outro, para um lado e para outro, para um lado e para o poutro”. Assim mesmo. Ela repetia isso 3 vezes e fazia uma miniencenação também para que a gente entendesse, na prática, a difícil tarefa de olhar para um lado e para o outro.

O tempo passou, a paranoia continuou, só que agora ela dá uns passes na gente. Juro! No instante em que eu miro a porta de saída de casa rumo ao trabalho, lá vem Fátima atrás com uma mão erguida e sussurrando alguma coisa que eu não consigo entender. Não conseguia… Outro dia, com muito esforço, eu ouvi: “vá com Deus, Deus te acompanhe, Deus te proteja, que Deus ilumine o motorista para ele ir devagar… Glória e paz!”. Glória e paz? Aposto que até o fim do ano ela vai meter um “hosana nas alturas” na prece.

Minha prima Nathasha, que conhece bem a tia que tem e sabe do que ela é capaz, acha que até lá minha mãe ainda vai inventar de jogar água benta na gente. Não duvido.