Manual da Mulher Solteira - Parte 2

Manual da Mulher Solteira: um guia para amar e curtir (sozinha ou acompanhada)

Há algumas semanas, eu escrevi a primeira parte da minha análise sobre o Manual da Mulher Solteira, lançamento da Editora Guarda-chuva. Hoje, falarei um pouco mais sobre o livro e o quanto eu me identifiquei com ele.

O “Manual da Mulher Solteira” é daqueles livros que a gente lê concordando com a cabeça. Elizabeth Koosed, a autora, conta passagens de sua vida e prova que, sim, muitas de nós temos os mesmos dilemas, as mesmas frustrações e as mesmas pieguices. Ela mostra também quão significativa é a maturidade na vida de uma mulher e o quanto isso nos ajuda a tomar decisões e a se livrar de bobagens que, em algum momento, equivocadamente supervalorizamos. Ok, a maturidade faz coisas incríveis na vida de qualquer ser humano, independente do sexo, mas vou me limitar ao feminino por razões óbvias. Eu me identifiquei tanto com ela em vários trechos, que fiquei com vontade de ser sua amiga, daquelas que andam de mãos dadas pela rua, cochicham pelos cantos e assistem juntas “Dirty Dancing”, na Sessão da Tarde, com lágrima no canto do olho.

Não tenho a menor intenção de, neste texto, parecer uma espécie de guru de relacionamentos amorosos. Isso eu deixo para a Regina Navarro. Além de não ter formação nem interesse em me aprofundar tanto assim no assunto, estou longe de ser a pessoa ideal para dar conselhos do tipo para alguém. O que esperar de uma mulher que não consegue sustentar um papo com um cara só por que ele teve a infelicidade de ter sido registrado como Gleibson? Gleibson, do latim, “adorável”, segundo a Internet. Quais as chances de eu ser uma psicanalista eficaz desse jeito? Nenhuma! Mas, convenhamos: apresentar alguém chamado Gleibson para parentes e amigos está longe de ser uma tarefa fácil. “Gleibson” é um nome que não dá brecha para apelidos. Glei? Gleib? Gleibinho? Gleibão? Não dá.

O que eu quero mesmo é falar das coincidências que tenho com a autora, com algumas amigas e do que a gente se sujeita quando está apaixonada. Lembrei, por exemplo, de uma amiga que assistia vídeos de zouk, no YouTube, porque o cara com quem se relacionava, amava o gênero musical, dizia que a levaria para dançar num clube e ela, que nunca tinha dançado aquilo na vida, não queria fazer feio. Resultado: de tanto assistir, ela acredita ter virado uma expert em zouk, embora nunca tenha arriscado um passo sequer em outro lugar além de sua própria casa.

Elizabeth Koosed fala também de liberdade e bem-estar e do quanto isso independe do nosso estado civil. É verdade. Nós somos tão cobradas, tão fiscalizadas o tempo todo, que as pessoas se sentem muito confortáveis em dar palpites sobre absolutamente tudo. Sem que a gente peça. Sem que a gente demonstre qualquer interesse em saber a opinião dos outros sobre o que diz respeito única e exclusivamente a nós mesmas. É como se casamento e filhos legitimassem a felicidade de alguém. É óbvio dizer isso, mas não é necessariamente assim que as coisas são, não. Funciona com algumas pessoas, claro, mas não é uma regra.

Em um trecho, a autora diz que “a vida de solteira não é para corações fracos”. Ô! Só lida bem com a solteirice quem não está preocupada em viver uma fantasia nem em atender às expectativas alheias. Quero casar? Quero. Quero ter filhos? Também quero. E se não rolar nada disso? Tudo certo. De verdade, tudo certo! Não faço parte do grupo de mulheres que rejeitam completamente a ideia de entrar num casamento nem do das que têm isso como meta. Digamos que eu sou o elo perdido entre esses dois grupos. Quero somente levar a minha vida do jeito que eu levo, sem urgência, sem desespero e deixando que as coisas aconteçam no tempo delas. Viver uma felicidade de fachada, definitivamente, não é para mim.

Costumo dizer que eu queria ter nascido Carrie Bradshaw para viver em Manhattan, ser uma escritora de sucesso, o alvo da disputa do Aidan e do Mr. Big, a queridinha dos estilistas mais badalados de NY e ainda contar com a sorte de ter uma Samantha Jones como BFF (imagina que sonho?). Tudo isso sendo a Sarah Jessica Parker, que não satisfeita em ter tanta sorte na ficção, laçou o Matthew Broderick na vida real. Acho que, na verdade, eu queria ser a Sarah Jessica Parker… Bom, o fato é que a Carrie tem o meu ideal de vida (nem tanto, tô forçando um pouco a barra). Só não é completamente porque eu sou, de verdade, muito feliz desfilando por aí com um vestidinho da coleção primavera/verão da Leader. Sou uma pobre conformada, por assim dizer. Ainda assim, estou longe desse “ideal Carrie”. Bem longe.

Solteira, casada ou num relacionamento não muito sério. Não importa o meu estado civil. Não importa o que eu quero para a minha vida. O que me interessa é ter bons encontros, conhecer gente bacana, fazer boas escolhas e tomar decisões que, acima de tudo, me valorizem. Elizabeth Koosed, muito sabiamente, apresenta situações comuns à maioria de nós – especialmente quando um cara que nos interessa cruza o nosso caminho – e sugere de que formas podemos conduzi-las a nosso favor. Não é lição de moral, não é autoajuda, não é papo de psicóloga de botequim. É apenas uma troca bem legal o que ela promove no livro. Vale a pena ler.

Por fim, quero ser lembrada como uma boa companhia na hora de tomar umas caipirinhas, de sentar em algum canto para rir da vida, para lamentar, para ouvir quem quer ser ouvido (e ser ouvida também!) ou até mesmo para sair por aí à procura de alguma casa do Rio de Janeiro que toque zouk, gênero que eu, modéstia à parte, domino como ninguém.