Nas suas marcas

Renata Andrade
Sep 4, 2018 · 1 min read

Há uns dias, eu corri feito louca pela Cinelândia. Estava indo assistir uma peça e tinha que fazer o milagre de chegar ao teatro às 19h. Eu estava com o horário apertado e, segundo o Google Maps, na caminhada da estação de desembarque até o teatro, eu chegaria 5 minutos atrasada. Era preciso correr.

Eu estava de botas, o que me obrigava a correr com um pouco mais de cautela. Correr no modo marcha atlética, talvez. Não seria legal chegar na hora certinha, mas com uma lesão no pé. Irresponsável do jeito que sou, desembarquei e corri de qualquer jeito, sem cuidado algum. Corri tanto, menina… Saí desviando de tudo e de todos, saí esbarrando em tudo e em todos. Eu mais parecia o menino do comercial de Natal do Banco Nacional, que botou a juventude pra jogo, cruzou a cidade num só fôlego pra chegar ao coral a tempo de solar no trecho final do jingle. Sem a juventude do garoto e sem o compromisso de cantar na minha chegada, eu cheguei ao teatro antes do começo da peça, mas devo ter feito a alegria daqueles que acompanham as câmeras de segurança dos prédios da Cinelândia, que foram surpreendidos por uma estranha e desengonçada garça praticando parkour.

Renata Andrade

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Autoproclamada fina flor de Madureira e adjacências. Roteirista do Zorra e da Escolinha. Tb tô lá no Podcast do Zorra. Autora do livro “A Passageira ao Lado”.

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