Onde a coruja dorme

Associação Brasileira de Imprensa

Thiago é meu afilhado. Thiago é uma criança de 3 anos e como tal, tem aquela energia que nos deixam exaustos só de vê-lo correndo pra lá e pra cá.

Thiago pegou a bola de futebol e a colocou no meio da sala. Seguro de suas habilidades, centralizou a redonda na marca do pênalti. Apesar de a mãe ter alertado de que sala não é lugar de bola, Thiago não se intimidou e com a frieza que só os craques têm, tomou distância e, mais que depressa, chutou. Chutou e a acertou em cheio no casulo do rack onde antes repousavam dois porta-retratos. Onde a coruja dorme.

Silêncio no estádio. A árbitra, furiosa por ter sido ignorada, ergueu o cartão vermelho, sem pena. Mais silêncio. Craque abalado. O pai do jogador entrou em campo, dirigiu-se à árbitra e cochichou algo em seu ouvido. Nossos especialistas em leitura labial pescaram a mensagem: “maior golaço, Paula”. Fim de jogo.

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