Psysique du role

Hoje cedo, na ida à farmácia, encontrei uma vizinha, uma senhorinha fofinha que é sempre muito carinhosa comigo. Ela virou para mim e disse: “você é tão alta… Nunca pensou em ser… em ser…”. A palavra lhe faltou e eu, mentalmente, comecei a soprar para ela “modelo! Fala que ela devia ser modelo!”, mesmo que isso não faça o menor sentido e eu saiba que nunca tive physique du role para isso. Eu só queria dar uma inflada no meu ego com uma mentirinha gostosa de ouvir.

Mas, não. Ela completou com “… você devia ser jogadora de basquete, vôlei, essas coisas”. Respondi que nunca cogitei, ela insistiu, disse que eu deveria tentar agora e eu falei que mesmo se quisesse, não rolaria porque passei da idade. Nos despedimos, ela foi para um lado, eu fui para o outro e, na minha caminhada, lembrei de uma teoria que tenho desde sempre: você, garota, que é magra, alta e que ouve muito por aí que deveria seguir a carreira de modelo, sem dúvida, você está ali, naquela escala que vai da exótica/estranha à bela/deslumbrante. Já eu… Bom, não foi por falta de apoio que eu não virei a sucessora da Márcia Fu.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.