Por um mundo com mais adultos “crianças” e menos adultos “infantis”

Quando se é pequeno qualquer coisa pode ser um mundo de possibilidades. Duas cadeiras e um lençol transformam-se em um piscar de olhos em um castelo e a caixa do fogão novo da mamãe pode ser um esconderijo mais seguro que a muralha onde a Patrulha da Noite guardava o Norte em Game Of Thrones. Rabiscos que aos olhos dos mais “secos” são só rabiscos, ao olhar imaginador de uma criança dão vida a heróis, aviões, leões e o que mais se quiser.

“As crianças são de fato os seres humanos mais criativos do mundo” Kevin Rafferty (Autor de programação sênior e desenvolvimento criativo da Disney)

Com o tempo vamos crescendo e nos adequando a um mundo adulto e cheio de regras onde não se pode mais ser criança. Sem saber a riqueza que estamos deixando de lado, nos tornamos esses tais “seres adultos” que não brincam, não riem se não forem “convocados” e muito menos soltam gargalhadas (Tem coisa melhor que isso para contagiar o ambiente e fazer os outros rirem?). E, além disso, passamos a achar que nunca temos tempo ou que é um talento para poucos a tal criatividade.

“O fato de você ser um adulto não quer dizer que não possa ser destemido e livre em seu pensar criativo. Afinal, o que é um adulto se não uma criança que acabou de crescer?” Kevin Rafferty (Autor de programação sênior e desenvolvimento criativo da Disney)

Em nossos escritórios, em casa ou na rua assumimos posturas condicionadas “ao que o outro vai pensar de mim” e passamos a fazer apontamentos a aqueles que ainda conseguem a proeza de manter vivas as “suas crianças”. Nos tornamos julgadores sem causa e o pior, nos tornamos “adultos infantis”.

Você deve estar se perguntando: e tem diferença? E eu lhe respondo: tem sim senhor(a)! E muita!

Adulto criança

Manter viva a criança que existe dentro de você está relacionado a não perder a empolgação com as coisas simples da vida, seja no trabalho, em casa ou em qualquer lugar que você esteja. E não estou falando de “empolgação política” feita só para estar nas fotos ou para só para impressionar ou, ainda, “puxar-saco”, mas sentir o que se sente ou gostar do que se gosta sem medo de parecer ridículo.

“Afinal, quem define o que é ou que não é? Para mim, cada um de nós!” Renata Dirrah

Vamos fazer um breve exercício: tente mergulhar nas suas memórias de criança. Lembra a última vez que você “morreu de rir” de verdade? Lembra também que quando era criança, provavelmente, você não tinha medo de soltar aquela gargalhada que mais parecia um ronco em qualquer que fosse o lugar, né? Então, é isso!

Ahhhh as Crianças!

Elas não se importam em dizer o que pensam e não fazem isso para serem maldosas, fazem porque são elas mesmas. Assim, sem máscaras. Apenas são e pronto. E não se engane! Ser um “adulto criança” está longe de se expor a situações vergonhosas (aquelas definidas pelo senso comum). Este conceito, que sei lá quem inventou, está muito mais ligado a ser quem se é e aceitar o outro como ele é. Em achar divertidas as diferenças e encolher o famoso “dedo aponta tudo”.

Claro, isso não quer dizer que você pode sair por ai fazendo o que quer (até porque precisamos respeitar o espaço do outro). Mas, deixar “viva” a sua criança quer dizer você pode transformar tudo o que está ao seu redor em algo mais feliz e autêntico, inclusive você.

Um exemplo de adulto que enquanto vivo sempre preservou o sentimento criança foi o fabuloso Walt Disney. Além disso, ele sempre fez questão que em todos os escritórios da Disney as “crianças” dos funcionários estivessem sempre “soltas”, fator considerado essencial para impulsionar a criatividade e manter viva a magia de seus empreendimentos.

E não precisamos ir longe, quer adulto mais criança que o humorista Renato Aragão ou o ícone da comunicação brasileira Silvio Santos?!

“Confesso, a minha sinceridade é mesmo coisa de criança. Assim, sem maldade, sem segundas intenções. Se acho, acho. Se quero, quero, e se não nem forço, não finjo. Quando acho graça, dou gargalhadas, daquelas altas, estranhas, engraçadas. Se não gosto, ignoro, procuro outra coisa para me ocupar. Se eu brincar com você, tens minha amizade e se não, por favor, se afaste. Sem falsidade. Mania feia essa que os “adultos” tem de serem convenientemente falsos. Aprenda: manter viva a criança que há em você é bem diferente de ser infantil. Ah…quando a gente é criança! Bom mesmo é abraço apertado, daqueles “esmagadores”, é brincar com seus priminhos 20 anos mais novos que você como se tivessem a mesma idade. É rir sem vergonha e ser feliz com coisas idiotas sem ligar para o resto, porque no fundo ninguém se importa.” Renata Dirrah (17.10.2013)

Adulto infantil

Claro que opiniões são relativas (Até porque se não fossem não seriam opiniões né?), mas, para mim, o “adulto infantil” é mais comum do que se imagina. Sabe aquela pessoa que não consegue ser contrariada que já “vira a cara”. Que não consegue assumir os próprios erros e até acertos. Que vê como ruim a espontaneidade dos outros. Que quando perde os argumentos levanta a voz. Que se faz de amigo(a) ou só elogia com segundas intenções. Pois é, bem por ai.

A infantilidade adulta, claro, pode estar ligada à traços da criação, mas cabe a nós uma autoreflexão e se preciso (Por quê não?) procurar ajuda especializada.

Mas, tomemos cuidado!

“Esse” desarticular as pessoas para poder se sentir em uma posição de poder, mesmo quando esta não é “nomeada”. “Esse” estar louco de vontade de dar aquela gargalhada, mas deixá-la morrer por dentro por medo de ser julgado. “Esse” viver criticando a maneira como o outro se comporta, mas estar o tempo todo com medo de ser quem se é. “Esse” deixar de vestir camiseta de banda porque “o que vão achar de mim”. “Esse” achar que se está sempre na mira de todos. “Esse” assumir máscaras para atender às necessidades exteriores mesmo que isso apague a própria chama. Esses “esses” podem custar caro: saúde, amizades e a sua identidade.

Então, vamos lá!

“Boa parte dos problemas desse tal mundo adulto se resolveriam se fossemos mais crianças e menos infantis.” Renata Dirrah

Sabe como é né?!

Esquecer aquela briguinha boba com o colega e “voltar a jogar bola na rua” no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. Dividir o lanche somente para ver o amigo feliz e pronto. Deixar de lado o orgulho e tomar ações que talvez não sejam as suas preferidas, mas as melhores para o bem do outro ou do grupo. Vamos rir da vida sem medo e chorar quando se tiver vontade.

“Permita-se ser novamente uma criança e deixe a diversão e a ausência de medo, próprias da criatividade infantil, libertarem você.” Kevin Rafferty (Autor de programação sênior e desenvolvimento criativo da Disney)

E aí, o que vai ser? Criança ou infantil?

Até a próxima! :)

Twitter: @Redirrah
Instagram: @Redirrah 
Contato: renatadirrah@gmail.com

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.