
Do décimo andar
vejo as janelas tão vazias quanto as pessoas que estão lá dentro
uma cidade viva de almas mortas
.
as placas e letreiros acham que me enganam
acham que podem mandar em mim
do it!
.
posso andar sem ser reconhecido. E sem encontrar nenhum sorriso
as luzes estão sem cor. O mar quebra suas ondas em silêncio,
e as pessoas transam sem gemer
.
um formigueiro com minúsculas criaturas que não sabem o que fazem
andam uma atrás das outras, atrás de um doce colorido
os vorazes competem com as alturas das coberturas
.
e daqui eu sou o único que vejo
e vejo tudo.
vejo a amante querer ser amada
e a mulher fingindo amor
vejo o cheque sendo preenchido. E o carro-forte voltando
e vejo o cachorro. Vejo o mendigo e vejo a puta
.
todos cinza. Sem graça. Criaturas medíocres
.
arregaço a cortina e berro para o vizinho
“você é corno!”. Ele ri de volta e me deseja um bom dia
.
acho que me tornei o louco do décimo andar.
o sol nasce e mesmo assim ninguém acorda
