21 de Março: Dia Internacional da Síndrome de Down

Convivência e confiança: as mais eficientes ferramentas para a inclusão social

Por Leonardo Miranda

Uma data para refletirmos acerca de uma questão muito presente em nossa sociedade! Não se trata de uma doença, mas sim da mais comum entre todas as condições genéticas adversas, estimada em 1 caso a cada 750 nascimentos no mundo. Só no Brasil, são mais de 300 mil pessoas com a síndrome, porém a questão ainda é incompreendida por muita gente.

Os indivíduos com Síndrome de Down possuem um único cromossomo extra no par de cromossomos 21. Normalmente, os humanos apresentam em suas células 46 cromossomos, que vêm em 23 pares. Crianças que possuem a síndrome têm 47 cromossomos, com três cópias do cromossomo 21, ao invés de duas. Essa pequena diferença genética acarreta uma série de peculiaridades como diferentes proporções na estrutura corporal, algumas dificuldades de habilidade cognitiva e desenvolvimento físico, além de uma maior propensão a desenvolver algumas doenças. Na maioria dos casos, a limitação mental é considerada leve ou moderada, raramente as pessoas com esse diagnóstico apresentam uma limitação mental profunda.

A pedagoga Kelly Priscila de Andrade Miranda, diretora da Escola Estadual de Educação Especial Esperança, destaca que, antes de tudo, para compreender a questão, é preciso ter consciência de que não se trata de uma doença e que cada caso é um caso. Kelly explica que as pessoas com a síndrome podem sofrer com a influência de patologias, o que pode afetar o desenvolvimento cognitivo. “Quando o aluno tem apenas a Síndrome de Down, seu progresso é incomparavelmente mais rápido”, observa Kelly.

Kelly Priscila de Andrade Miranda, diretora da Escola Estadual de Educação Especial Esperança com dois alunos

Para além das explicações da ciência, é necessário que o ponto de vista social seja incluído: como podemos compreender para melhor tratarmos e acolhermos os que têm Síndrome de Down em nosso dia a dia? Segundo a pedagoga, a questão da inclusão social gira justamente em torno da convivência. Ela aponta a falta de confiança da população como o maior obstáculo para a inclusão das pessoas com Síndrome de Down. “Geralmente, quem não convive com um Down pensa que eles não são capazes de se desenvolverem e isso é tudo o que eles não precisam!”, observa Kelly.

Na Escola Esperança, como é popularmente conhecida na cidade, estudam cerca de 15 a 20 alunos com a síndrome, de ambos os sexos e das mais variadas idades. Em média, de 6 a 8 desses alunos cursam o EJA — Educação para Jovens e Adultos. Além daqueles que estudam, há ainda os que participam de atividades como a banda, o coral e outras oficinas oferecidas pela escola. “É isso que as pessoas precisam saber! Já tivemos casos de alunos com a síndrome que superaram todas as expectativas”, ressalta a diretora.

Outra informação importantíssima é que, ao contrário do que alguns desinformados pensam, as pessoas com a síndrome são alegres, cheias de vida, comunicativas e, acima de tudo, têm muito amor para dar. “Eles são os mais carinhosos, é impressionante a sinceridade e intensidade com que demonstram seus sentimentos”, comenta Kelly. Segundo pesquisas recentes, 97% dos Down gostam de ser quem são e como são, provando que eles têm sim opinião e devem ser ouvidos. “Além de carinhosos, eles são curiosos e interessados em viver a vida como qualquer outra pessoa”, destaca a diretora, que já lecionou na escola e acompanha de perto a evolução de muitos desses alunos tão especiais. Segundo Ana Maria Vilela, uma das professoras da Escola Esperança, os alunos com Síndrome de Down se dão muito bem entre si e com os demais colegas. “Eles sempre estão dispostos a participar das atividades desenvolvidas na sala e a ajudar os colegas. Gostam muito de interagir”, destaca a professora.

A síndrome recebeu esse nome em homenagem ao médico britânico John Langdon Down que a descreveu no ano de 1862. Já o Dia Internacional da Síndrome de Down foi comemorado pela primeira vez em 2006. O mês e dia foram escolhidos pela referência à “trissomia do cromossomo 21”, que caracteriza a síndrome.

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Conheça alguns dos alunos com Síndrome de Down da Escola Esperança

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