De volta às aulas

A difícil tarefa de adaptação ao novo ano letivo

Por Cleris Machado de Almeida Rodrigues, psicóloga.

O início do ano letivo é encarado de maneira diferente por cada criança e adolescente. Nesse sentido, a forma como a família lida com esse momento é importante, considerando que as crianças poderão passar por um sofrimento inicial comum e esperado para a situação. Reconhecidas as ansiedades, é possível propor ajuda para superar essa etapa de adaptação.

Crianças menores costumam reagir com mais ansiedade a essa nova fase, pois geralmente são mais dependentes dos pais e acostumados ao espaço físico da casa. É essencial, portanto, que os pais estejam certos da decisão de colocar os menores em creches no período que antecede a fase obrigatória da pré-escola, com o propósito de transmitir confiança e segurança às crianças. Juntamente com seus filhos, é crucial que os pais conheçam o novo ambiente escolar visando minimizar o nervosismo que essa etapa pode causar aos pequenos.

Já os adolescentes encaram de forma diferente o período de volta às aulas, uma vez que mostram maturidade para certas escolhas e compreensão em algumas situações. Eles trazem consigo outras expectativas relacionadas a esse período, podendo haver envolvimento dos mesmos nas decisões que serão tomadas. Entretanto, algumas angústias ainda são geradas, pois nessa fase eles desejam saber quem serão os novos professores e se permanecerão com os mesmos colegas do ano anterior. Assim, cabe aos pais que um diálogo com seus filhos seja mantido, explicando as mudanças e decisões tomadas.

Concomitantemente ao suporte da família, a escola deve estar sempre atenta, visto que cada criança necessita de um período distinto. É aconselhável criar um prazo de adaptação que seja flexível às crianças, levando em consideração suas necessidades e particularidades para além da proposta pedagógica.

Torna-se relevante ressaltar que o papel do professor exerce influência significativa na forma de recepcionar as crianças, garantindo que se sintam mais seguras e acolhidas para a entrada no novo ambiente, o que proporciona uma situação efetiva de aprendizagem.

É válido salientar que, mesmo com todo o suporte oferecido pela família e pela escola, algumas crianças e adolescentes se mantêm resistentes ao retorno escolar, sendo necessário avaliar individualmente o real motivo. A partir disto, pode-se criar medidas facilitadoras específicas para inserção ou reinserção das mesmas, por meio de parcerias entre a educação e outras áreas do saber, considerando a possibilidade da existência de problemas tanto físicos e orgânicos, quanto psíquicos e emocionais, e até mesmo sociais e culturais.

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