Literatura Independente

Na vida, nós temos de esperar. Enquanto esperamos, sentimos o que? Esperança?

Isabella Alves

U m apanhado de poemas, crônicas e minicontos de escritores que se ligam a Alfenas de alguma forma: este é “O Viralata”, fanzine do poços-caldense Alison Silva. Alison é estudante de Nutrição na Unifal de Alfenas e já produziu dois zines de maneira independente, “O Viralata” e o “Três Letras”, que se enquadram em uma espécie de “zine-carta” com tiragem limitada de dez exemplares.

Além de Alison, há vários outros autores de publicações independentes em Alfenas e no Sul de Minas. Alguns produzem por hobby, outros ganham a vida vendendo suas obras. Afinal, o que é literatura independente? Como ela funciona?

Não existem definições exatas sobre a literatura independente, mas, no geral, ela surge da intenção do escritor de publicar seu zine, revista ou livro de maneira mais artesanal, sem o apoio de grandes editoras. Como explica Alison, tudo é feito a poucas mãos e distribuído de forma independente. Muitos destes escritores realizam suas publicações apenas online, em blogs e redes sociais. Ainda assim, há uma demanda grande de autores que querem ver suas obras materializadas no papel.

A literatura independente chega, então, a fim de abrir um novo canal entre escritor e leitor de forma mais íntima, diferentemente de quando se publica um livro em grandes editoras.

O Circuito

Para entendermos melhor sobre o tema, o paulistano e também “zineiro” Márcio Sno esclareceu uma outra vertente de divulgação da literatura independente. São os “circuitos alternativos”, os quais abrangem saraus, slams (competições de poesias), livrarias menos comerciais, feiras de livros independentes como a Feira Plana e a Ugra Fest, lojas virtuais que distribuem tal tipo de publicação, entre outros. Mesmo assim, o mais tradicional deles continua sendo de mão em mão, do “zineiro” para o leitor.

“O escritor geralmente é o editor, distribuidor, divulgador, ou seja, ele faz tudo! É como aquilo que Criolo diz: ‘Artista independente leva no peito a responsa, tiozão, e não vem dizer que não!’”.

Literatura Artesanal

Entre os “zineiros” que já passaram por Alfenas, está Rogério Snatus. Com seis livros publicados (três de poesias, um de prosa e dois técnicos), Rogério é um cordelista e se define como “um escritor que cria mundos”. Além dos livros, ele tem mais de 50 títulos entre cordéis e fanzines.

Dentro do contexto de literatura independente, Rogério conta que criou seu primeiro livro artesanal aos 13 anos, com uma máquina de escrever. Depois, aprendeu técnicas de edição em gráficas. Entretanto, em sua última publicação, “Cidadela dos Sonhos”, Snatus voltou a confeccionar tudo artesanalmente, em um livro costurado à mão. “Pois a arte e a poética têm que impregnar toda a obra, incluindo a sua dimensão física”, explica o escritor. Este é mais um dos vários conceitos que se encaixam nas publicações independentes, fazendo com que os livros tenham toda a personalidade do autor impressa em suas páginas.

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