Erramos mais do que acertamos

Quando você me disse isso, eu estava fumando escondida. Era um choro contido, a crise maior já tinha passado.

Mas ficou na minha mente e na minha garganta, o fechamento. Não, não acredito nisso. Acertamos tanto.

Ouvi você chorar, te dei banho, abracei. Dividi corridas, comemos, engolímo-nos. Você me deu banho, me ouviu chorar, lavou as louças, lavou tristezas. Abraçou. Eu vi acertando, eu vivi amando.

Entre fechamentos na garganta, não consigo acreditar no erro como ponto de catarse. Os acertos existem, e são muitos.

Isso é acerto. E não vai embora, fica e permanece. Tá marcado.

Quando te encontrar, você vai ver. Meu rosto, meu corpo, desnudo e lutando pra acertar.

Acertamos mais do que erramos.

Nem você tira isso de si.

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