Invisible Thing

Este é um textão muito do pessoal. Talvez bem adolescente. Mas pelo visto eu não sei me preservar.

Hoje um completo estranho disse que meu cabelo era bonito e que eu tava linda. 
E eu sei que vocês vão achar besta, pois na real eu quase choro. Mesmo.
A gente fala muito em amor próprio e aceitação, em não ligar pra opiniões externas sobre nós. E logicamente isso tudo faz muito sentido na minha cabeça. Validação social é algo danoso em várias maneiras, e é fodido ter que precisar delas, depender delas. Eu luto contra querer isso de certa forma, mas é… É difícil.

Girls like us are hardly ever wanted, you know?

Complicado falar de padrões aqui. Não me considero a pessoa mais fora de padrão. Tenho certos privilégios e isso é um fato. Mas é foda. É foda se sentir diminuída, intelectualmente e esteticamente. 
Espero não chatear ninguém com isso. Mas é, é foda se basear por likes e comentários. Nem acho que é inflar ego a forma mais fácil de lidar com isso. Mas é foda. É foda ver certos padrões mais bonitos, mais desejáveis, mas tiros, lindas, olha essa foto, amiga você é um lacre, etc.
E logicamente minha cabeça vira achando mesmo que eu não quero ser adorada nem algo do tipo. Eu só queria me sentir menos invisível. Mais… bonita?
Eu mesmo não sei explicar essa angústia. Essa coisa que dói em mim. Será mesmo mais fácil nascer de olhos claros, cabelos lisos, cintura fina? Escrever bem, ser artista, fazer algo de cativante pra alguém.
Eu tento. Tento olhar no espelho e achar que aquilo que eu vejo é algo a se orgulhar, algo a se amar. Mas… E realmente só tarefa de quem se olha? E quem está em volta, quem não vê? Eu me sinto a maior idiota e antifeminista em dizer… Sim, eu quero que me achem bonita. 
Discurso escroto esse o meu, talvez. Problemático é bastante. Mas sim. Quem tá de fora dessas capas de revista ou talvez capas das redes sociais de um grupo específico de pessoas dessa cidade estranha e cada vez mais hostil, é difícil se amar.
É difícil se achar muita coisa a mais do que algum objeto inanimado invisível.
E menino, muito obrigada por ter dito quelas palavras pra mim, mesmo que tão rapidamente.
Até mesmo pela vontade de chorar por ter ouvido algo bonito e doce como um elogio em meio a tanta merda. OBRIGADA.
Eu juro que vou acreditar!