Early Stage Funding — uma pauta necessária

Rise Ventures
Mar 28 · 4 min read

“O empreendedorismo está se sofisticando no Brasil. E o capital empreendedor tem tudo a ver com isso”. Essa era a visão que o evento 1ª Maratona do Capital Empreendedor, realizado nos dias 19, 20 e 21 de março, queria passar. E conseguiu.

Organizado pela FGV EAESP e IE Business School, o evento contou com dez bate-papos sobre diversos modelos de investimentos, sendo a maior parte deles para empresas early stages.

Os participantes puderam ouvir e trocar ideias desde assuntos consolidados no cenário Brasileiro como Seed Capital, Venture Capital e Private Equity, Investimento Anjo, até assunto relativamente novos no nosso contexto: Venture Builder, Venture Studio e Aceleração, Venture Debt, Search Funds, Crypto Tokens: do ICO ao ST, Crowdfunding & Equity Crowdfunding, Corporate Venture. E esse foi um grande ponto positivo do evento: apresentar variadas formas de Capital Empreendedor com convidados experientes e com muito conteúdo a passar.

Para enriquecer ainda mais a troca, na grande maioria das rodadas, apresentou-se tanto o lado do investidor quanto o do empreendedor. Ficaram claras as diferenças de percepções dos dois lados. Mas também transpareceu a semelhança. Todos ali tinham, dentre outros, o objetivo de fortalecer o empreendedorismo no Brasil, cada um da sua forma, com seu modelo de negócio. Foi um incentivo para continuar nessa jornada.

E tudo ocorreu com uma organização notável: um ótimo ambiente, horários sempre respeitados, moderadores bem preparados e convidados escolhidos a dedo para os painéis. As perguntas depois do debate acrescentaram bastante à discussão, e foi interessante poder conhecer e destrinchar os diferentes modelos de investimentos.

Nosso co-fundador e CEO, Pedro Vilela, participou do painel Aceleração & Venture Building. Junto dele, Alan Leite, Gustavo Gierun e Pedro Waergertner, com moderação do Prof. Dr. Gilberto Sarfati, discutiram os modelos de Aceleradoras, Venture Studio e Venture Buildings do mercado atual.

Entre os pontos discutidos, está o de que o nosso mercado ainda é muito pequeno, novos modelos para investir em negócios early stage estão surgindo, e é difícil definir “caixinhas” para colocar essas iniciativas. Foi interessante perceber que o modelo de Venture Studio da Rise chamou atenção, com várias perguntas direcionadas ao assunto no fim do painel. Em nosso modelo, somos coempreendedores dos fundadores(as) das empresas do portfólio. Trocamos times experientes por participação societária. Esses times fazem bons planos, trazem capital, e implementam os planos lado a lado com a empresa.

Outro assunto debatido foi o quão difícil e escasso é o investimento early stage, pelo custo de oportunidade existente para players maiores (o trabalho para investir em algo maior ou menor é o mesmo). Assim, fica uma lacuna no mercado ainda muito evidente para os ‘brave-hearts’ que entram nesse ponto do risco-retorno, tão necessário para formação de ecossistema. É mais do que bem-vindo o debate entre os diferentes modelos que existem e como podem se aperfeiçoar diante das adversidades do ‘vale da morte’ que as empresas enfrentam.

O mercado brasileiro ainda é muito pequeno perto do mercado dos EUA, temos muito a evoluir para avançarmos. Existem várias questões importantes nesse caminho. Algumas delas, apontadas nos painéis, são:

1. Ter negócios cada vez melhores, com boas ideias e com empreendedores mais preparados e alinhados com o que é empreender;

2. O empreendedor tem que escolher o investido tanto quanto o investidor o empreendedor. É preciso entender o valor, para além do dinheiro, que o investidor traz para o negócio, como sua rede de contatos, conhecimento sobre o mercado etc., e os melhores deals acontecem quando existe uma intencionalidade e reciprocidade muito clara entre as partes.

3. O investidor tem que entender que o mercado de investimentos em start-up é para quem tem ‘estômago’, e que precisa estar ciente de que não são todas empresas que vão dar certo — o número de empresas que quebram nos primeiros cinco anos está na média dos 70%;

4. O investidor também precisa saber quando entrar no business para ajudar, e quando está atrapalhando o empreendedor. É necessário que ambas as partes tenham diálogo para entender quais discussões são cruciais e quais não fazem sentido.

No geral, foi incrível ver os dois lados da moeda — empreendedor e investidor — e o framing de cada parte. Mesmo com as diferenças de ponto de vista sobre o negócio, o que chamou atenção foi como a relação pode se construir de maneira respeitosa e verdadeira para as duas partes, através de diálogo, argumentação e empatia.

Não existem caixinhas suficientes para alocar todos os modelos de empreender, seja pelo lado do investidor (que também é um empreendedor), seja pelo empreendedor da forma convencional que conhecemos. Se quisermos realmente inovar no setor, precisamos não nos adequar às tais caixinhas e buscar cada vez mais maneiras diferentes de trabalhar as empresas early-stage, para que um dia se tornem late-stage.

Colaboraram com esse texto: Caio Cruz, Lucas Castro, Gabriela Colicigno, Catherine Bayer e Pedro Vilela.

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