no exato momento em que li tua folha de rosto, soube que tinha feito o julgamento correto do livro pela capa. teus olhos de tarde praiana ensolarada, o castanho dos teus cabelos fluidos como o vento do oeste — suave e agradável, o desenho bem contornado do teu sorriso: toda a informação de que eu precisava para entender que se tratava da leitura inédita de uma obra-prima.
quis devorar tuas páginas desde o primeiro momento, mas esperei o convite dos instintos. todo bom leitor sabe identificar o instante mais indicado para começar cada leitura. nesse caso a deixa de que a ocasião perfeita tinha chegado quem sussurrou foi o universo — sempre ele. e finalmente eu pude te folhear, te tatear e descobrir as emoções que cada parágrafo guarda.
à medida que tuas linhas se desenham diante dos meus olhos, a capacidade de definir teu gênero literário se dissipa. arrisco dizer que és híbrida porque em ti já identifiquei romance, aventura, fantasia, ação, contos, crônicas e até mesmo autoajuda. mas meu coração te catalogou como poesia. é que quando estou contigo tudo que vivemos soa como versos rimados.
não consigo escolher qual é a melhor parte dessa investida literária, mas eu adoro um trecho que se repete, aquele em que nossos lábios se encontram e escolhem se demorar um no outro, feito uma passagem brilhante lida e relida incansavelmente. a grata visita surpresa do meu suspiro — às vezes do teu também! — faz as vezes do som da página sendo virada quando a curiosidade pelo parágrafo seguinte não consegue se conter.
nosso abraço métrico, rítmico e versejado ocupa um capítulo à parte desse livro de cabeceira. quando tu te despedes e eu sou levada a me afastar do teu enredo vivo, é da memória do teu abraço e do teu beijo que me alimento até te ver novamente.
aliás, o fichamento que crio de ti e guardo na lembrança é o que me leva a encarar a ingratidão das horas; é o que me ajuda a sobreviver sem a leitura demorada que meus olhos fazem dos teus.
