Saudade é você

Se saudade tivesse corpo, seria o seu.

Teria seus cabelos macios e fluidos que tão bem recepcionam o afago dos meus dedos.

Teria seu sorriso escorreito e afável que me doa paz sem pedir nada em troca.

Teria suas mãos de pétala e veludo que descansam dentro das minhas sem ressalvas.

Teria o aconchego do seu abraço. Ah, esse abraço que não ouso descrever porque temo. Temo ser desleal com a autenticidade do pertencimento que sinto dentro dele.

Se saudade fosse um ser e não um sentir, seria você, com todos os traços, trejeitos e manias. Com todas as cores, fragrâncias e sabores. Com todas as texturas, detalhes e formas. Seria você, sem tirar nem por.

Se saudade fosse um ser, seria você.

É, aqui não cabe mais o verbo no futuro do pretérito do indicativo porque, ao que tudo indica, saudade é mesmo você.