Livre como um pássaro
Pássaro na mão do homem

A gaiola separa o pássaro da liberdade
Lá fora o homem é livre, livre para trabalhar de segunda a sexta.
Livre para receber o seu próprio salário.
Livre para empregar seu salário nas contas de água, luz e o luxo da tv a cabo.
Livre para assistir os canais que quiser, embora os canais sempre são os mesmos.
Livre pra sair, livre pra ir no shopping.
Livre pra escolher entre McDonald’s e Burguer King.
Ou Outback, numa escolha mais ousada.
Não pode escolher Outback sempre, no máximo, uma vez por mês.
A noite aponta e o homem chega em casa.
O pássaro está lá na gaiola, cantando, talvez feliz com a chegada do homem.
O pássaro também canta como se tentasse abrir fendas no ar, numa tentativa de fugir daquela gaiola.
Enquanto isso o homem é livre, pode escolher ficar em casa no dia seguinte, mas sempre acaba decidindo por vontade própria que trabalhar é a melhor escolha.
O homem tem o mundo inteiro, pode conhecer a Índia, a muralha da China ou o deserto do Chile.
Mas ele não planeja sair dali, ele ama o lugar onde vive, afinal, ele nascerá ali.
Tudo que ele precisa ele já tem.
Seu velho emprego de segunda a sexta e aquele final de semana livre, para acordar um pouco mais tarde.
Acordar com o som do canto de seu pássaro preso na gaiola.
Eu poderia abrir aquela porta de madeira e assitir o pássaro ganhar o mundo.
Mas será que ele vive só? Será que vai conseguir buscar comida?
Ele nasceu dentro de uma gaiola que sempre fora o seu habitat.
Será que ele sabe voar? Será que ele sabe o que é voar?
Decidi não soltá-lo
Sorte de nós, homens livres.
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