O que significa seguir a própria vocação?

O exercício da ‪vocação sempre envolve alguns sacrifícios. Por exemplo, poucas pessoas se dedicam tanto quanto as ‪mães‬, que possuem uma ligação visceral com seus filhos. Dariam suas vidas por eles.

Em tempos de ‪olimpíadas, vemos atletas que abdicaram de vida social, lazer, fins de semana e convívio com a família para participarem dos jogos — e sem qualquer garantia de sucesso.

‪Padres‬ católicos renunciam a tudo o que pessoas ditas normais costumam usufruir. A dedicação religiosa impossibilita-os de levar uma vida comum. Não podem desfrutar de relacionamentos afetivos, constituir família, levar uma vida social intensa ou acumular riqueza. A tudo isso, soma-se as exigências do sacerdócio. E, segundo o que ouvi de um padre, com o passar do tempo, as provações só tendem a aumentar.

Muitos querem empreender porque acreditam que assim teriam um horário mais flexível e seriam donos do próprio nariz. ‪Empreendedores‬ lidam com governo, burocracia, impostos, folha de ponto, folha de pagamento, contabilidade, controle de estoque, reclamação de clientes… E, se sobrar tempo, pensarão em objetivos estratégicos, em melhorar o atendimento, aprimorar produtos e serviços etc. Se uma coisa que a maioria dos empreendedores não tem é o tal do tempo. Apesar de tudo, é admirável testemunhar alguém que se realiza em prospera satisfazendo a sua base de clientes.

Bom, mas o que é vocação? Trata-se de uma inclinação natural para determinadas atividades - profissionais ou não -, motivada por propósito, engajamento e senso de contribuição. Observe que não se trata da busca por algo que dê prazer. Isso seria deveras frívolo. Como vimos, algumas vocações podem ser extremamente desafiadoras. A busca é sempre por um caminho que dê sentido à própria vida, através de algo que você faça pelas pessoas.

Apesar do “preço” a ser pago, o exercício da vocação é uma das melhores coisas ao ser humano. Uma vida vocacionada centraliza o indivíduo no mundo, indicando-lhe o seu verdadeiro lugar. Vocação, entretanto, não é uma escolha, mas, sim, uma descoberta. Você pode escolher uma atividade por status, dinheiro, vaidade, ascensão, aprovação social, admiração e até por necessidade… Mas nada será tão bom quanto algo que dê vazão aos seus valores, talentos e aptidões naturais.