O Futebol e a causa LGBT.

No dia 28 de junho é comemorado o dia do orgulho LGBT. Dia onde a bandeira do arco-íris é levantada em diversos lugares para mostrar que amor é amor e ponto final.

Eu, um verdadeiro fanático por futebol, vi nas redes sociais diversos perfis de clubes levantando a bandeira da diversidade e enchendo os olhos de quem acredita na democratização do nosso esporte bretão. Mas como nem tudo são flores nessa vida, eu, que nas horas vagas também sou lixeiro de comentários, notei diversas respostas malcriadas aos clubes que “ousaram” botar uma cabeça de alfinete que seja com as cores da bandeira LGBT. Como um bissexual que esconde a orientação da própria família por medo do caos que pode se instalar na mesma, eu pergunto: Até quando?

É completamente seguro afirmar que os gays não têm vez no futebol, salvo raríssimas exceções. É muito comum que surjam histórias de bastidores sobre jogadores de futebol homossexuais, e a obrigação dos atletas em esconder sua orientação (porque eu lamento informar você, caro amigo homofóbico, mas os jogadores gays existem sim, e não são poucos) apenas faz aumentar o efeito “telefone sem fio”, tanto que o personagem que talvez possa ser considerado o maior símbolo do combate à homofobia no futebol brasileiro nunca se declarou oficialmente como gay: O volante Richarlyson.

Além disso, o insuportável grito de “bicha” na hora do tiro de meta é o retrato do que temos de mais nojento nos estádios (e aqui eu parto do princípio de que a violência entre organizadas, outro exemplo de fracasso humano, ocorre em sua maioria fora dos locais onde ocorrem os jogos). Crianças são vistas rindo de seus pais gritando a plenos pulmões um adjetivo que nem de longe deveria ser considerado um xingamento. Desde cedo aprendem a vociferar algo que nem sempre é verdade, e que caso seja, não lhe diz respeito. Nos torcedores, vemos a contradição do pensamento: Ao mesmo tempo em que pedem paz nos estádios e atribuem a ausência dos jogos de seu time do coração ao desrespeito dos violentos torcedores, em suas raras aparições nas modernas arenas são desrespeitosos e igualmente violentos, ainda que não tenham feito cair uma só gota do sangue alheio.

Atitudes belíssimas, reportagens esclarecedoras e chocantes e demonstrações de respeito são vistas como algo político, naturalmente creditado à esquerda (como se isso fosse de fato algo ruim) e qualificadas como desserviços à população, à moral e aos bons costumes. Em pleno 2017, tratam como doença um simples afeto entre dois iguais, e impedem que pessoas como eu tenham um segredo a menos pra guardar. E, sem dado real, apenas palpite, costumo dizer que muitos dos mais radicais torcedores homofóbicos têm seus esqueletos no armário, o que não os obrigaria a revelá-los, mas a ter empatia com o próximo. Ou talvez é exatamente o armário que os faz agir assim, numa tentativa de mentir a si mesmo, vai saber?

Eu, corinthiano desde os 5 anos de idade, e que me orgulho demais das minhas raízes, tenho vergonha de quem protesta contra a diretoria por razões financeiras, sob a alegação de que o time “está deixando de ser do povo”, mas na primeira oportunidade de repudiar um grito de “bicha” no tiro de meta, se omite e justifica que “é apenas brincadeira, cultura de estádio”. E o que dizer do corinthiano que não perde a oportunidade de criticar uma atitude inclusiva do clube? Este certamente não entende o conceito de “povo”, e certamente não entende a essência do Corinthians, time operário fundado por imigrantes, acolhedor das minorias e por anos alvo de piadas de cunho social e racial.

Nos últimos anos, tenho vivido um processo que me fez enxergar vários dos meus preconceitos e me permitiu ter a cabeça mais aberta para algumas questões. E isso me aproximou muito do St. Pauli, time alemão vanguardista nos combates aos diversos tipos de preconceitos ainda existentes no futebol, sem abandonar sua essência. E é exatamente isso que me ajuda a continuar enxergando o futebol como algo além de um simples jogo (me desculpem o clichê).

Que este dia 28 seja o início de uma grande mudança no futebol.

#Loveislove