Camisa e tradição não serão suficientes para o Peñarol em 2016
A julgar pelo desempenho mostrado nas duas primeiras partidas da Libertadores da América, o Peñarol terá que oferecer muito mais do que a já conhecida raça uruguaia e a tradição da camisa pentacampeã da principal competição sulamericana. O time comandado pelo técnico Jorge da Silva apresentou muitos problemas nas transições defensiva e ofensiva.
Na estreia conseguiu bom resultado contra o Sporting Cristal no Peru, mas já havia demonstrado toda sua limitação e falta de repertório principalmente nas ações ofensivas. Após abrir o placar, limitou-se a defender, sem adiantar as linhas de marcação e tampouco exercer pressão sobre o homem da bola adversário. O resultado foi o gol de empate sofrido nos minutos finais.
Já na noite desta terça-feira, com o mítico estádio Centenário recebendo ótimo público, a história reservou páginas ainda mais preocupantes. A velha raça e o espírito intenso disposto a constranger o adversário estiveram presentes, mas faltou muita organização nas diferentes fases do jogo.
Transição Ofensiva
Jorge da Silva armou sua equipe no 4–1–3–2. Desenho tático idêntico ao do campeão River Plate em 2015, mas a execução foi bem diferente. Vamos começar pela transição ofensiva, momento em que a equipe recupera a bola e começa a organizar sua saída para o ataque. Costa é o volante, Nandez o apoiador pela direita, Aguiar o da esquerda e Maxi Rodriguez (ex-Grêmio e Vasco) o enganche.

O trio mais avançado, ao invés de se aproximar de Costa e oferecer condições para que sejam estabelecidas as linhas de passe e, consequentemente, uma construção de jogada mais bem trabalhada, se afastava do iniciador de jogadas aurinegro, o que dificultava bastante essa fase do jogo. A solução era a ligação direta. Para completar, os laterais Aguirregaray e Olivera não buscavam dar opção pelos flancos.
Em uma das poucas vezes que tentou o passe curto/médio na saída de bola, Costa entregou a bola nos pés do talentoso Gamarra. O meia do Huracan acertou um lindo chute e fez o gol da vitória dos argentinos. O problema persistiu ao longo de todo o jogo, o que não quer dizer que o Peñarol não tenha pressionado. Ganhando as ‘’segundas bolas’’ e criando superioridade numérica pelo lado direito de ataque com Nandez, Forlan e Aguirregaray, o time uruguaio teve três boas chances no primeiro tempo, mas parou no bom goleiro Diaz.

Na segunda etapa, Jorge da Silva colocou o atacante Palácios pela direita, abriu Forlan pela esquerda e centralizou Murillo. Maxi Rodriguez foi sacado, mas a frágil estratégia de construção de jogadas ocasionou uma segunda etapa ainda pior. Apenas uma chance real foi criada e a torcida aurinegra voltou pra casa cheia de dúvidas quanto ao futuro de sua equipe na competição continental.
Transição Defensiva
Fase diferente do jogo, mas o mesmo problema: o distanciamento entre Costa e o trio de meias do Peñarol. Na execução correta do 4–1–3–2, é preciso que o apoiador do lado oposto de onde está a bola feche e se agrupe junto ao primeiro volante e ao enganche. Nandez e Aguiar falharam neste ponto e Maxi Rodriguez repetiu a displicência tática já demonstrada em terras brasileiras.
O resultado foi um generoso espaço para Miralles e Chacana trabalharem com os volantes Gonzalez e Bogado, criando superioridade numérica e expondo o sistema defensivo do Peñarol. Para completar, a última linha defensiva, recuava demais, contribuindo ainda mais no caótico cenário.
Ainda faltam quatro rodadas para o término da primeira fase da Libertadores, mas com duas partidas por fazer com a melhor equipe da chave, o Atlético Nacional, da Colômbia, o futuro do Peñarol na competição pode não ser tão longo quanto a sua tradição sugere. ziu8WRN s=��