Goleada do Grêmio teve 15 minutos de ‘futebol-modelo’ e só

Parece louco dizer, mas o Grêmio não rendeu o que poderia nos 4x0 diante da LDU na noite desta quarta-feira. O resultado precisa ser valorizado por recobrar a confiança da equipe e, principalmente, dar os pontos necessários para ter boas chances de classificação no competitivo grupo. Na prática, foram 15 minutos de perfeição, 65 de muita precipitação na construção das jogadas e mais dez de oportunismo diante um adversário já exausto para definir a goleada.

Outro fator muito positivo para o Grêmio foi a estreia do ótimo Miller Bolaños. Nesta partida atuou como referência móvel no 4–2–3–1 e revezou pouco com Luan, este escalado à esquerda na linha de meias. Bolaños é veloz, habilidoso e extremamente técnico. As qualidades ficaram claras no gol marcado e também na qualidade da movimentação. Não se viu Miller encaixotado na marcação da LDU. Pode atuar em qualquer uma das quatro funções mais ofensivas da estrutura tática montada por Roger Machado e qualifica ainda mais o setor.

Grêmio no 4–2–3–1 e Miller Bolaños na referência móvel

No início do jogo, o Grêmio conseguiu colocar em prática toda a intensidade na pressão na saída de bola adversária e deixou a campeã de 2008 da Libertadores em apuros. Recuperou algumas bolas perto do gol. Em uma delas, Bolaños quase abriu o placar. Repare na imagem abaixo, como o tricolor cria superioridade no setor do campo exercendo forte pressão no homem da bola. Compacto e intenso!

Marcação bem coordenada no campo de ataque. Sete jogadores gremistas contra seis da LDU. Intensidade, superioridade numérica e coordenação no balanço das linhas. Na sequência da jogada, a bola é retomada e quase Miller Bolaños abre o placar.

A postura esteve presente também com a bola nos pés, na fase de organização ofensiva. Desde que assumiu o Grêmio, Roger implementou um estilo de jogo pautado na construção das jogadas através de intensa movimentação, troca de posições no campo de ataque e de passes de qualidade de maneira rápida. Os conceitos ficam claros na construção do primeiro gol. A jogada começa na esquerda e vai terminar na ótima troca entre Douglas e Maicon. A dupla confunde a marcação equatoriana e o camisa 19 ‘’pisa’’ na área como tanto pede o treinador para abrir o placar após o passe de Wallace Oliveira.

Detalhe da construção da jogada do gol. Faixas amarelas = movimentação dos jogadores. Faixa vermelha = trajetória da bola. Giuliano dando amplitude de um lado, Miller Bolaños do outro, e a troca entre Douglas e Maicon. Resultado: defesa adversária espaçada e a infiltração do volante para marcar.

A partir daí, o time gremista passou a confundir a intensidade pedida na movimentação, rapidez de raciocínio e na abordagem de marcação com afobação nas diversas fases do jogo. A LDU ‘’subiu’’ sua linha de volantes e bloqueou com certa facilidade o início da transição ofensiva tricolor, que por sua vez abusou das rifadas de bola e dos erros de passe. Apesar de manter a bola no campo do Grêmio, o time visitante pouco conseguiu criar, muito em função da ótima coordenação da última linha de defesa brasileira e marcação eficaz por zona.

Já com a vantagem no placar, Grêmio foi bastante pressionado pela LDU em seu próprio campo e não conseguiu fazer seu jogo fluir de forma eficaz.

No segundo tempo, a injusta expulsão de Romero sugeriria uma segunda etapa diferente, mas mesmo com mais espaços o Grêmio não conseguiu controlar a partida da forma que tem condições de fazer: com posse de bola. Seguiu errando demais e se precipitando na construção das jogadas. A LDU seguiu com posse no campo gremista, mas novamente sem assustar.

Somente no final da partida, já com os ‘’sangues novos’’ de Éverton e Henrique Almeida o time da casa conseguiu ampliar o marcador e construir a goleada. Valeu pelo resultado e a subida na classificação, mas o Grêmio precisa voltar a colocar em prática alguns conceitos bem executados na temporada passada. O retorno do volante Wallace ao time titular ajudará Maicon na tarefa de iniciar as jogadas de maneira correta e ao mesmo tempo servir de apoio nos dois últimos terços do campo, mas é necessário encontrar caminhos para driblar a ausência de ambos ao longo da temporada.