Amamos odiar Renato Gaúcho

Renato Portaluppi não é uma pessoa fácil de se gostar. Foi um jogador de sucesso campeão brasileiro, da Copa do Brasil, da Libertadores e Mundial. Ponta-direita forte, rápido e inteligente. E seu amor pela bola sempre foi proporcional ao que tinha pelas mulheres. E olha que ele amava muito a bola. Renato era craque e sabia que era craque. É como a Luana Piovani. Não basta ela saber que é linda, ela faz questão de esfregar isso na cara de todo mundo. Renato cansou de fazer isso.

A carreira de todo o jogador é curta e a de Renato não foi diferente. Após brilhar principalmente em Grêmio, Flamengo e Fluminense, o mais carioca dos gaúchos pendurou as chuteiras. Renato se tornar um treinador iria contra todos os prognósticos. Geralmente craques não gostam de ser treinadores. Atacantes menos ainda. Jogadores que adoravam a noite então…

As primeiras oportunidades vieram no Fluminense, último time que foi ídolo. Prometeu salvar o time do rebaixamento e, se não o fizesse, andaria nu por Ipanema. Não conseguiu para desespero dos tricolores e não cumpriu para a tristeza das mulheres. No Vasco (2005), Renato fez ótimo trabalho. Foi vice da Copa do Brasil e sexto no Brasileirão, a melhor posição vascaína desde 2001, com um time muito fraco.

Renato cada vez mais gostava de ser treinador, mas também adorava sua vida de desempregado. Tirava longos períodos sabáticos porque, na sua visão, não adianta ter dinheiro e não poder usufruí-lo. Isso incomodou, e incomoda, imensamente a mídia e torcedores. Eles acham que tira a seriedade do treinador poder ser encontrado durante o dia em uma praia de Ipanema jogando futevôlei. Renato é um personagem e não abre mão de ser.

O treinador ainda teve mais uma boa passagem pelo Fluminense onde foi campeão da Copa do Brasil (2007) e vice da Libertadores (2008), mas ninguém queria saber de seu trabalho. Ou tinha times bons, ou o auxiliar fazia tudo. Renato só era lembrado pelas frases de efeito como “brincar no Brasileiro”, “fazer o que eu fazia”, “em 87, eu falava para o Zico: Galo, corre que eu penso”. A imprensa, incluindo eu, reclama diariamente das chatas entrevistas dos jogadores de futebol. Frases feitas como “time está unido”, “vamos lutar pelos três pontos”, “se deus quiser ter um bom resultado”. Renato sempre dava manchete. E das boas. Mas aí os jornalistas reclamavam que ele dava armas aos adversários, que era fanfarrão. A imprensa está sempre insatisfeita.

https://youtu.be/qgKqxwAA6ds

Logicamente Renato tem trabalhos para esquecer como no Fluminense, Vasco e Atlético-PR. Ainda lembrando das coisas boas, ele ainda fez bom papel no Bahia, mas é no Grêmio que a magia acontece. Ele foi campeão do mundo em 1981 e aos 17 anos fez dois gols na final contra o Hamburgo. Em 2010, tirou a equipe da zona de rebaixamento e levou à Libertadores. Em 2013, voltou ao Grêmio e. foi vice-campeão nacional e, ainda assim, não teve o contrato renovado. No ano passado, voltou ao clube que lhe revelou e foi campeão da Copa do Brasil. Torcedores e analistas torceram o nariz e disseram que ele pegou um time pronto formado por Roger. Neste ano, Renato naufragou no campeonato Gaúcho, mas o time faz boa campanha na Libertadores e briga na ponta pelo Brasileirão jogando muita bola.

https://youtu.be/Ligg9WknVi4

Novamente não deve ser por causa do trabalho de Renato. Ele deve ter mantido o auxiliar, o time de Roger ou apenas se aproveita da má fase de Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG. Amamos odiar Renato, mas já passou da hora de reconhecermos que ele é um treinador de ponta no futebol brasileiro.