Meu amigo Joesley

Todo mundo tem um grupo de amigos mais próximos. Eu também tenho o meu. A gente briga, faz as pazes, reclama, fica mais próximo de um, se afasta um pouco do outro, mas sabemos que quando a coisa aperta todos estarão por perto. A maioria deles eu conheci no colégio e vi crescer como homens, pais, empresários, trabalhadores e tenho orgulho deles, mesmo que a distância não me permita dizer isso. Mas essa série de delações premiadas me deixou um tanto ressabiado com eles. Eu descobri que na verdade quero um amigo como Joesley Batista, dono da JBS.

Meus amigos são legais, mas nenhum deles me emprestaria R$ 2 milhões para pagar o meu advogado em algum problema que eu tive. Joesley faz isso com Aécio. Revoltante! Que amigos de quase 20 anos são esses? Quando aquela ex está enchendo o saco, ameaçando fazer sua caveira para namorada nova, meus amigos me pagam um chope, me pedem calma e é isso. Joesley é diferente. Ele pagou 5 milhões para Cunha ficar calado e não encher o saco.

Quando estou com problemas, meu grupo oferece aquele ombro amigo, conselhos. Legal, né? Que nada. Legal é o Joesley que afasta os inimigos, escuta, dá conselhos ao Temer e ainda paga uma mesada de 100 mil por mês por sete anos.

E quando eu quero aquele aumento e a promoção no trabalho. Está entre eu e uma concorrente. Vai ser tipo uma eleição. Meus amigos enviam mensagens de autoajuda, mandam força. Joesley não. Ele mandou 50 milhões para a campanha do Lula e 30 milhões para a Dilma. Isso que é apoio de um amigo.

Sugiro aos meus amigos que repensem seus atos. Talvez eles não sejam tão amigos quanto eu pensava. Mas pelo menos eles não entram na minha sala e gravam todas as atrocidades que eu digo. Pensando bem, acho que fico com meus velhos e bons companheiros.