Sobre coxinha, mortadela e caviar

Dia após dia, a política brasileira nos inunda de notícias sobre falcatruas e corrupção. De vez em quando, as notícias são até boas, como a prisão de alguém por ter infringido a lei, mas geralmente são escândalos e números estratosféricos de desvios de merenda, obras e até (pasme) venda de leis. Enquanto isso, um grupo comemora que uma hashtag contra o Supremo Tribunal Federal — no momento em que liberta José Dirceu — chegou ao Trending Topic do Twitter.

Juízes e deputados não são afetados pela “pressão” da rede social. Isso porque a maioria tem em torno de 60 anos, ou seja, está longe da geração da internet. Além disso, possuem dezenas de assessores (a verba mensal de gabinete de cada um dos 513 deputados federais é de R$ 97.116,13, no total máximo de R$ 49.819.035,70 por mês pagos por você, por mim, em impostos) para filtrar isso. Sim, eles sabem o que se passa, mas não estão nem aí, assim como quando desviaram milhões, bilhões fazendo com que escândalos internacionais como o da Fifa sejam pequenos, diante da quantidade de dinheiro de propina no Brasil.

Se fossemos formar um Campeonato de protestos estaríamos nas divisões de baixo. Nossas manifestações não incomodam. Estaríamos atras até do Paraguai onde manifestantes invadiram o Congresso.

Nossos protestos virtuais não assustam ninguém. Sempre fui um pacifista e odeio Black Blocs, mas acho que cansei da nossa inércia como povo. Deputados, senadores, juízes e o executivo precisam ter receio de tomar certas medidas. Não é preciso porrada para isso. Cercar o Congresso, jogar tomates (embora o quilo esteja um absurdo), ovos, vaiar em lugares públicos. Muitas formas estão aí para isso. E as redes sociais? Usemos para marcar esses encontros e chamar cada vez mais gente.

Enquanto os coxinhas brigarem com os mortadelas, quem come caviar vai estar sempre a rir do povo. Dizem que o povo unido jamais será vencido. Que tal testarmos verdadeiramente a premissa?