Ponte

Querida,

Estive olhando com minúcia o nosso passado e vejo que há no agora algo diferente…
É como se estivéssemos cada um na sua própria ilha e existisse um riacho fundo e arredio que as cerceia.
Acabamos por nos descobrirmos às margens do riacho. Ali passamos algum tempo, observando um ao outro, trocando alguns acenos. Não demorou para percebermos que precisaríamos de uma ponte.
Tivemos sorte: Na sua ilha cresciam rígidos acajus. Por aqui, consegui trançar algumas raízes firmes e fazer uma grande corda. Em cada margem se iniciou uma empreitada: Você com as tábuas, eu com as tranças.

Bem sabes tu que tivemos que recomeçar diversas vezes — o riacho é intransigente e adorava, de tempos em tempos, levar nosso esforço leito abaixo.
Sim, tivemos algumas intempéries — admito que fui controlador para com o projeto, mas você também se fez ausente algumas vezes. Tudo bem, já não importa mais. Acho que agora conseguimos. Concluímos nossa legação.

Depois de todo esse tempo, essa noite nos encontraremos no meio da ponte. Estou enfim pronto para te aceitar, assim como tu és.
E mesmo que ao descobrir cada vez mais suas terras em minhas visitas eu constate a inefável diferença destas comparadas as minhas, isso não diminuirá jamais nossa conquista:

Fizemos, juntos, uma linda ponte.

Escrito em 25/02/2014
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