Alzheimer, agora vai?

Tentamos emplacar o Alzheimer na lista de “doenças cool” e fizemos a projeção para a demência nos próximos 50 anos dentro do cenário underground.

Ainternet popularizou várias coisas que há pouco tempo não eram nada legais, como os anos 90. Diversos outros produtos sociais foram discriminados como “cool” ou não e, nessa lista, várias doenças se fazem presentes. A ansiedade e bipolaridade foram vendidas como must entre um largo público de pacientes online, enquanto outras, por mais que tenham tentando, nunca alcançaram tanta popularidade, como o autismo e até mesmo o Alzheimer.

A razão pode estar na sociabilidade da doença. Enquanto alguns males em nada afetam a extroversão de quem sofre, outros afligem diretamente a capacidade do paciente em interagir com terceiros. Ainda que doenças extremamente “antissociais” já tenham alcançado status favoráveis entre o público, como o Parkinson, esta é ainda a principal explicação dada por quem não é especialista no assunto.

O mesmo Parkinson citado anteriormente alavancou seguidores off-line em idos de 2008, quando grupos de jovens se reuniam durante os dias de semana em galerias no centro da cidade e, sincronicamente, imitavam os efeitos degenerativos que a doença causa no corpo humano. A cena de adolescentes simulando tremores em locais públicos circulou, o que aumentou a aceitação da doença em nichos específicos.

Sabendo disso e do histórico clínico da minha família — meu avô sofreu de Alzheimer, também meu pai e, muito provavelmente, eu terei a doença -, pensei em deixar o terreno preparado para quando os primeiros sintomas se apresentarem. Por essas, decidi tornar o Alzheimer legal até que eu faça 65 anos, para, quando rolar, que isso me torne apenas melhor do que já sou.

Independência: como será ter Alzheimer em 2065?

Não é exatamente divertido para os outros que eu, aos 20, finja ter perdido meus óculos 2 vezes em menos de 5 minutos. Isso é, a não ser que eu tenha armações mais descoladas, coisa que o meu salário de porteiro não banca. Entretanto, outras técnicas simples podem funcionar bem, como simular ter se esquecido do seu próprio nome e só responder quando te chamarem por outro nome mais legal, como, por exemplo, Max.

Supor que apenas isso é o suficiente pra tornar uma doença degenerativa cool é ser inocente, pois ainda há muito o que ser feito antes de se aproximar de uma mina na balada com “oi, eu tenho Alzheimer” como carro-chefe para um papo. De qualquer forma, espera-se que, talvez, em 50 anos, eu já possa me orgulhar de ser o que sou, caso eu venha a ser. E, se não rolar comigo, que outros tenha a aceitação de que podem ser legais com qualquer outra doença psíquica degenerativa.

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