Namorar uma viciada em coca será a sua aventura no ano

Na proa de uma lancha, respingos da água quente do mar do Caribe pontilham a sua face. Uma musa de biquíni com peitos empinados sorri bebendo qualquer mijo numa taça fina e golfinhos decolam do fundo do oceano em direção ao horizonte. Ao seu lado, um barão de camisa florida guia o caminho para a Flórida dos anos 70, onde as roupas só não são mais coloridas que o delírio dos ácidos.

sua namorada nunca terá um bigode tão legal.

Esta é a primeira imagem que se constrói ao descobrir que sua nova namoradinha é uma completa viciada em cocaína. Isso! Agora vai, o mínimo de emoção pra minha vida! E mesmo que tudo não seja esse escorrega no arco-íris, ao menos haverá algum tipo de ação. Sim, minha namorada é uma viciada e não, eu não uso coca, mas, ao menos, caso eu queira, posso me sentir o Joaquin Phoenix dando uma cheirada na bunda de uma prostituta.

Acontece que sua mina não é uma prostituta e a ruína do seu êxtase afrouxa e mingua na esperança de, alguma hora, quando ela for dar uma cheirada num banheiro sujo de um bar, que você vá junto e consiga uma chupada horrorosa num lugar completamente cagado. Dito isso, traçaremos as nuances de como é construir uma relação sólida de 12 horas com uma nariz-branco.

Conheci Bárbara numa festa de rua, do lado de fora de um daqueles lugares com nome “Bar e Restaurante 2 Irmãos — Ambiente Familiar”, onde caminhoneiros vão beber uma cervejinha solitários. Por alguma razão, na minha cidade, esses lugares estavam extremamente populares pros anos de 2014, e não era raro promoverem festas com latão 4 reais que atraíam qualquer tipo de gente. Nesta, especificamente, carros de som apostavam volume e garotas feiosas subiam na caçamba de caminhonetes.

Bárbara havia, através do Tinder, combinado de me encontrar nesse pedaço. Por alguns minutos de atraso, quando cheguei, já a achei completamente chapada de cerveja e vinho barato. Isso não foi problema, logo eu já estava na mesma situação. Entretanto, a menina recusou as dezenas de becks que nos foram oferecidos, dizendo que não curtia muito esse tipo de coisa. “Ok, ela gosta de cerveja. Gosta de ficar bêbada e nada mais”.

Não, garotas te surpreendem. Bárbara abriu a bolsa, sacou um pino de coca, colocou nas costas da mão, deu uma boa cheirada na minha frente e disse: “É que eu tenho pressão baixa”. Devo dizer que é satisfatório ouvir qualquer pessoa dar satisfações sobre um vício em dar um raio, principalmente, teoricamente, se embasando em uma recomendação clínica. “Então, vamos para onde agora?”, ela me perguntou.

Fomos para a casa de um cara que não conheço bem, mas dizem que era um advogado que trabalhava também como DJ. Na lavanderia, ela de calcinha abraçando a minha cintura com suas pernas disse que não conseguia transar sem uma cheiradinha e me pediu alguns trocados para comprar um pino. “Eu conheço um cara aqui perto que vende, desce lá pra mim”. Claro que não desci, mas a Bárbara voltou alguns minutos depois completamente animada. Enquanto metíamos com ela sentada em cima da máquina de lavar, a mina me disse que me amava e que eu deveria conhecer seus pais no domingo.

Conhecer os pais de uma garota que mandou uma boa porção de pó numa primeira saída do Tinder parecia um grande plano, se saísse, seriam pelo menos mais uns 4 parágrafos pra este texto. Mas não rolou, porque, na manhã seguinte, ao acordar, meu relógio, minha carteira e até meus óculos haviam sumido. A Bárbara também. Adicione os 15 em reais em notas de 5 na noite anterior que ela pediu emprestado e está a resposta: sim, ter como namoradinha por uma noite uma mina viciada em cocaína é exatamente a aventura que você está procurando.

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