Ônibus

Não sei, queria entender, não sei por que escrevo dentro desse ônibus mesmo sabendo que minha letra vai ficar ilegível,também não sei por que sentei no fundão.

Uma moça acabou de sentar na minha frente e olhou pra esse caderninho me achando retardado por estar escrevendo no busão, pelo menos até fazer isso também acharia isso.

Devia voltar a fazer atividade física, talvez não estaria nesse estado mental pensativo,não gosto de ficar assim, sou negativo de mais, não costumo ver o lado positivo de cara. Um dos meus defeitos.

Esse cheiro me impregnou, me lembra sofrimento,não gosto disso, ninguém gosta pra falar a verdade.

Estou chegando na metade do caminho de casa.

Um trio de pré-adolescentes sentou na frente dessa moça,acho que são da mesma classe na escola,mostram muito entrosamento.

Curva maldita,só tem buraco no caminho.

Eles viram um ônibus de outra escola, distribuíram ódio mostrando o medo médio e amor formando coração com as mãos.

Outra passageira olhou para o meu bloquinho, mas tudo bem já me acostumei.

Entrou um vendedor de bala, não sei oque diz, meu fone de ouvido me impede, mas a cara dele demonstra indignação, gesticula muito,é,está indignado com as pessoas que se aproveitam dos outros.

Um do trio viu o bloquinho, olhou não entendendo mas seguiu como se fosse normal.

O vendedor parece estar pregando,por que todo vendedor menciona deus? parece que está dando uma lição de moral no ônibus inteiro.

2 do trio sem ser oque viu esse bloquinho resolveram mexer com um pedestre gritando allahu akbar, ignorados.

O vendedor está chegando aqui no fundo, bala e chiclete 1 real.

O trio comprou 2 com uma nota de 20, jogaram o plastico no carro ao lado.

Recusei as balinhas.

Cheguei no meu ponto, é mais difícil escrever andando do que no ônibus.

Cheguei.

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