Fim.

Photo by Elliott Blair on Unsplash

E então ela se sentou ao meu lado na bancada do bar e pediu uma cerveja. Ao fundo tocava La vie en Rose.

“Parece que todos os caminhos nos trariam pra esse mesmo destino”

Eu apenas concordei, sem conseguir olhar em seus olhos. Nos pusemos em silêncio, olhando para um infinto e pensando em tudo o que aconteceu.

“ As coisas poderiam ter sido como tínhamos previsto.”

“As coisas acontecem como tem que acontecer” Respondi. “Em algum momento nós perdermos o controle da situação. Em algum momento nós esquecemos da importância um do outro. Em algum momento tudo desandou.”

Dei um gole na bebida. Desvie meu olhar e suspirei. Ela me olhou, pensou antes de começar a responder, mas não se conteve.

“Mas se tivéssemos forçado um pouco… cooperado mais… pensado mais… poderíamos ter dado certo. Por que o que sentíamos pelo outro era verdadeiro. É verdadeiro. Não podemos ignorar tudo o que aconteceu entre nós. Não é assim que tem que ser.”

Olhei fixamente nos seus olhos. E com uma voz de tristeza perguntei. “Mas o que faremos então? Fingiremos que todos os erros que comentemos nunca existiram? Como vamos conseguir dormir sabendo o que aconteceu? As vezes há paredes que não podem ser repintadas. Assim como não há como olhar um mesmo quadro duas vezes, por que nós não seremos os mesmos… nós não somos mais os mesmo.”

“Eu sei” respondeu ela olhando para a mesa.

Olhei-a e vi seus cabelos pretos caídos sobre os ombros.

Nos pusemos em silêncio por alguns segundos.

Com um olhar compenetrado nas cores que a minha taça possuía, completei.

“Se tivéssemos tomado essa decisão há algum tempo, talvez fosse possível. Se as coisas tivessem acontecido um pouco diferente… Talvez… Talvez…” As palavras sumiram da minha boca como o dia foge da noite.

“Agora não vai mais adiantar pensar nisso. Erramos. E fizemos de tudo pra contrariar nossos destinos…Agora precisamos seguir. O nós não existe mais.”

“Eu sei”. Confirmei.

“Mas antes de partir… quero que saiba… eu sinto falta do tempo em que éramos felizes juntos. Eu sinto falta de tudo que vivemos. Eu sinto falta…Sinto e muito…”

“Eu também.” Responde ela, virando o rosto pro lado.

A música chegou ao fim.

Me levantei da mesa. Beijei-a na testa, sem olhar em seus olhos. Eu não queria ter como última lembrança um olhar triste. Caminhei lentamente até a porta enquanto as pessoas ao redor seguiam felizes com suas vidas. Abri a porta. Hesitei olha-la novamente, suspirei bem fundo e saí. Saí pensando em como tudo poderia ter dado certo.