A garota ateia

Crônica de domingo

Eu até que gostava dela.

Admirava o fato de negar algo que a humanidade acreditava desde sempre, ainda com algumas evidências, tamanha ousadia.

É preciso ser ousado para ser ateu, e ela era.

Não tinha medo de ninguém. Um dia escrevi uma personagem inspirada nela.

Mas um dia a gente se desentendeu. Nem sequer sobre o tema em si, era um outro delicado.

Um entendimento totalmente contrário do que era inicial.

E com o tempo identifiquei que o problema nem tema do debate. Mas a maneira que ela entendeu. Me expressei mal.

Ah, sim, é preciso ser claro, objetivo e… ah sim sim! Talvez isso faltasse. A mania minha de dar voltas a dar algo, contava uma história, deixava uma pessoa a entender uma meada da dela. Jesus fazia isso, sim, por parábolas.

Mas, quem sabe ele se expressasse melhor que eu, e as pessoas entendiam exatamente o que ele dizia.

Sim?

Assim, mais tarde as aulas de lógica jurídica me trouxeram uma ideia que me levou a reformular qualquer coisa antes de falar.

O que soa tudo um pouco confuso a um escritor, uma vez que ele precisa criar, ser livre.

Mas voltando, não vi mais a figura. Pensei em me aprofundar temas profundos que os ateus pesquisam.

Sim, mas enfim, será que eles são uma verdadeira e concisa resposta?

Mas não pesquisei.

Mas eu não fiz.

Os dias se passaram.

Apenas dela me lembrei.