Cartas de Alice
Eu memorizo a sua respiração ao te observar agir.
Algumas das suas emoções já consigo distinguir pela abertura das suas narinas, outras, pelo assobio de quando solta o ar, aliviado.
Te percebo pensar em quantos sorrisos ainda vai me arrancar ao me apertar por ter dito bobagem e, se eu ainda conseguirei me justificar sem fôlego pela vergonha da confusão somadas das cócegas que continuas a percorrer meu corpo pelo toque forte dos seus dedos a me zombar.
Eu até me esforço para não te olhar tão diretamente, tento disfarçar meus olhares curiosos sobre o seu habitar, você percebe e ri, eu rio de volta e volto a me atentar em você.
Até os meus amigos já comentam o meu sorrir ao seu lado, descrevem o quanto ele é aberto. E, sabe, quando o nosso sorriso é junto, não me contenho, gargalho.
Só a mérito de constatação, tô sorrindo enquanto escrevo, porque você, já foi trabalhar. Mas, olha, tô com uma saudade danada.
Beijos, Alice.
Alice talvez seja atriz.
Encontrei ela no teatro, sorria com seus amigos se vangloriando do sucesso da peça e, eu não sabia se dizia a verdade, optei por não dizer quando percebi que ela convenceu-os. Ela era boa.
Caminhei até ela e ao aborda-la parabenizei o seu papel, mas não me pergunte qual era, não notei. Ela pode não ser tão boa nos palcos.
Lisonjeada me convidou para comemorar, aceitei. Minhas noites na Augusta me treinaram, consigo encarar com naturalidade dividir cervejas com desconhecidos.
Ao final, a sós, na cama, do quarto, do hotel, prometemos contar em bilhetes nossas sensações. Este foi o primeiro.