Quarta

Eu poderia ser um espelho e refletir a forma como você me olhou, assim você entenderia onde foi que eu me apaixonei. Você me olhava pelo canto do olho enquanto se esforçava para estacionar o carro. Foi bem ali, entre a Rua das Figueiras e a Adolfo Barros.

Queria que você tivesse sentido o mesmo que eu quando nossas línguas se encontraram, elas estavam sedentas do beijo instigado mais cedo por mensagem. Foi uma mistura de arrepios, choques e sabores, estes, tão doces.

Você deveria, pelo menos uma vez na vida, sentir a mesma segurança que eu senti quando apertou minha mão contra a sua — e me fez pensar se era por mim ou por você — para passarmos por aquela aranha pendurada na árvore em frente ao colégio de inglês, você estudou ali durante a infância, não foi?

Queria tanto que me esforcei para termos um segundo encontro, derrubando todos os objetos da minha bolsa no carpete do seu carro, quem sabe se eu não esquecesse um batom você não marcaria um encontro despretensioso para me devolver? Mas aí, você acendeu a luz e me ajudou, não ficou nem mesmo uma embalagem de bala perdida, ao contrário de mim, que fiquei perdida no portão de casa te acenando um tchau, você nem viu.

Gostei de você, e seria tão bom se tivesse gostado de mim também.

Será que nessa Quarta-Feira estaríamos novamente indo ao bar ao invés da aula se tivesse gostado?