A vida é uma droga.

Tênis nos pés. Fones nos ouvidos. Playlist acertada. Pego a minha companheira de estrada, carinhosamente apelidada de Lucy e saio pelas ruas da cidade. O sol baixo da manhã batendo pelo corpo da minha garota faz o vermelho metálico brilhar.

No mp3 tocando aquela do Raimundos (que na verdade é do Fábio Jr.) “quero saber bem mais que os meus 20 e poucos anos”.

E eu nos meus 20 e poucos anos o que sei?

Eu, no auge da minha vida, nos gloriosos 20 e poucos anos citados nas músicas e pintados poeticamente no cinema e na TV, só tenho certeza de que sei uma coisa: a vida é uma droga.

Calma, não sou desses patéticos e mentecaptos candidatos a suicidas (pelo contrário, prezo muito minha vida, muito bem, obrigado).

Deixe-me explicar melhor.

Segundo o mini aurélio da minha estante uma das definições de droga é:

dro.ga sf. Restr. (1) Substância cujo uso pode levar a dependência. (2) Substância entorpecente, alucinógena, excitante, etc.

Entorpecente, alucinógena e excitante.

Exatamente tudo o que a vida é.

E não nos esqueçamos da parte: “levar a dependência”. Já parou pra pensar como você, eu, ou o lixeiro ali recolhendo o lixo; já se tornou dependente da vida de alguém?

E isso acontece o tempo todo.

Quando nascemos, quando vamos pra escola, quando vamos aprender a dirigir, quando descobrimos que as canções falam sobre um tal de amor.

E esse é o pior.

Não, não vou falar sobre amor.

Quebrei muita a cara nesses últimos tempos. O lado positivo é que aprendi que quebrar a cara não dói tanto assim. Uma coisa acertadamente aprendida durante um dos socos levados, e já dita pelo grandioso e filha da puta do Charles Bukowski é: “Cada um de nós está, no final, sozinho.”

Eu ainda tenho a Lucy, mas a vadia, como todas as malditas e benditas criaturas do gênero feminino, há de me abandonar também. Se bem que, agora percebo que com as criaturas do gênero masculino é a mesma coisa.

Nada é pra sempre.

Guarda isso aí.

Enquanto eu pedalo caminho a cada segundo mais em direção ao fim.

Enquanto eu pedado as rodas e ferros da minha menina vermelha e metálica vão se desgastando.

Amigos vão se perdendo, amores vão tendo pontos finais colocados, mães morrem.

Uma longa e interminável lista de começos e fins.

E a vida continua.

Entorpecente, alucinógena e excitante.

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