Protetor solar

Uma linha tênue entre o sucesso e a perdição é a mesma que separa o sexy do vulgar, o luxuoso do exibicionista, o malabarista do equilibrista. Acho engraçada essa coisa de extremos, esse constante toma-lá-da-cá. Todo mundo vive fora de zonas de conforto — quando se sente perto demais, ao mesmo tempo, estamos distantes. Essa constante cortante faca de dois gumes afiados.

É assim mesmo que a banda toca — viva ou sobreviva. E não faz mal se sentir traído pelo seu próprio gosto, porque quando algo se perde, outro aroma surge no ar. Ao mesmo tempo que a maré enche de um lado, algum outro cede espaço à orla com mais uma faixa de areia em algum lugar. O que fazer se você não sabe onde está a faixa?

Continue a nadar. Um dia, tudo se acha. A gente pode se perder.

Não acredito em falsos cognatos. Uma palavra que parece outra palavra pode ser, realmente, a palavra que você buscava. Só porquê outro idioma tirou o sentido a mesma não pode perder seu orgulho. Outro fato engraçado sobre facas de dois gumes: elas sempre vão espetar do outro lado, mas só o que está próximo a você pode te matar. Nunca estamos sem escolhas e uma sempre vai cortar menos. As coisas são o que são, podendo parecer outras ou até mesmo ser outras, mas continuam as mesmas. Fugir dos extremos não te faz livre destes, apenas do outro lado da faca, um extremista-não-extremista. Como cansa escolher e tentar.

E qual o lado ruim em se cortar? Logo logo cicatriza. A dor vai embora. O sangue estanca. O cheiro passa.

O mundo nunca foi assim tão mal, você que é medroso. Ou preguiçoso.

Preguiça de escolher, arcar com as consequências, se colocar no lugar. Preguiça do ‘e se’ e do que vem depois. Ah, somos mesmo um bando de covardes. Preguiça é medo de se arriscar.

Eu até que admiro uma boa cicatriz de guerra. Me mostra teus cortes?