Noite de Princesa, no RJ
Eu sabia que essa viagem seria especial. Não como. O porquê, talvez.
Abril de 2017. Mani Carneiro foi aprovado para tocar no Sofar Sounds RJ!
Uma conquista pra ele, que eu vinha acompanhando desde 2015, tentando apresentar pra Sescs e Cia Iltda. Enfim, uma oportunidade revigorante que, como toda boa notícia, abre um portal para outras boas concretizações. E, de lá pra cá, foram muitas boas novidades.
Nem tudo é flor, em um jardim inteiro, vocês tem espinhos, vermes, bactérias, convivendo com pétalas, folhas, árvores, cipós, borboletas, torneiras de jardim…
A apresentação no Sofar Sounds, me fez traçar um objetivo, de armar mais um show. Fui e consegui marcar na Audio Rebel, e aconteceu de forma que tínhamos 4 meses à frente. Mani estava planejado para lançar vídeos, singles, e outras coisas foram surgindo no caminho.
Bem, o resultado do Sofar Sounds RJ, feito no Mama Shelter RJ, você confere aqui:
Na sequência veio o clipe produzido por Rafael Lopes, da faixa Acessos, do primeiro álbum solo de Mani Carneiro, Ecoou. A faixa ganhou nova versão, em forma de single, lançado nas plataformas de distribuição.
De lá pra cá, Mani participou deste especial, Som Ambiente, que ficou muito lindo!
Na sequência, saiu outro belíssimo trabalho, voz e bateria, um novo single chamado Dia de Sonho, também disponível nas plataformas de streaming.
Como planejado, desde que soubemos do show, projetamos que seria então, de lançamento do terceiro single deste processo, entitulado Depois de Agora, gravado pelo selo Matraca Records, Fernando Rischbieter e Pedro Vinci De Moraes Delboni, no estúdio YB, e fotografado, filmado e editado por Fernando Cirillo.
Depois de Agora é uma composição do Mani, que contou com a talentosa produção musical de Jam da Silva, somando ao trabalho, Mark Lambert II, com um arranjo para metais, incrível, tocados por maravilhosos, Francisco Duarte, Sidmar Vieira Souza e Marco Delfino, músicos da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo. Ainda a guitarra sutil e precisa de Marcelo Amorim.
Finalizando, com chave de ouro, com mixagem e masterização de Chico Neves!
Tem uma transmissão feita direto no link do evento, no Facebook, aqui:

E, o grande dia, tão esperado na vida de um artista, e toda uma equipe, somada desde a vinda do Sofar, a visita à Audio Rebel, em Abril, com a recomendação da Build Up Media, de Daniel Pandeló e Nathália, que vêm fazendo um belíssimo trabalho de repercussão, de todo esse material gerado, e resultou no lançamento oficial, para a mídia, feito via Facebook do Brasileiríssimos

Aliás, acabou rolando uma participação minha, por recomendação do próprio Jam da Silva, sentindo que faltava uma participação feminina. Então, foi escolhida uma adaptação da canção Naranjo en Flor, para intervir nas ondas sonoras de Depois de Agora.
E o resultado, vocês podem conferir, aqui:
Bem…
Ao final de tudo isso… show entregue… Segunda veio o dia de aproveitar um pouquinho mais do Rio, antes de voltar pra SP.
Em Abril, uma semana. Tirei para NÃO dar uma de turista. Aproveitei aos poucos, como se estivesse morando lá, e de fato, quando você realmente viaja, você vive no lugar onde está, pelo tempo que ficar… do contrário, você estaria transitando por uma sobrevida… enfim! Sem pressa, sem dever, quando choveu e eu não quis sair, não saí, quando quis, fui. E assim vivi momentos especiais, comigo mesma, conhecendo pessoas que marcaram minha vida, minha história, outras que passaram como portadoras de recados divinos, que a vida quer que eu ouça, e também que eu diga a elas, ou melhor, cante!
E, desta vez, escolhi ir à Copacabana. De Botafogo, de metrô. E não para ir à praia, de maiô e tudo, mas para sentar, ler um livro. Aproveitei as floriculturas no caminho — me sinto a própria Amelie Poulain, numa dessas -, e um rolê bem urbano. A ideia era pegar a praia, calma, mas durante o dia. Mas foi tão bom como rolou, as conversas que tive cá e lá, em especial, ao senhor da gelateria italiana Fatto a Mano. Há coisa de 1 ano, experimentando o Brasil, cansado da política da Itália, e não mais feliz com a que se encontra por aqui!
Despues, saí e enfim cheguei à Copa. Tive o momento turista, me sentindo numa novela da Globo, olhando bem pra ver se não toparia com a Xuxa, a Angélica, Ana Furtado, Débora Seco, Letícia Spiller, algum destes, correndo por ali!
Sabem?! Dizem TANTO que Copacabana é muito cara, os quiosques, e eu vi sim alguns preços caros, mas algumas coisas com preços bem iguais aos bares e restaurantes láaa da parte de dentro, do Rio. A única coisa é que, mais modernizada que a coisa esteja, nenhum deles tem Wi-Fi, ainda.
Aí, parei num deles, pra conversar, fazer uma observação e, de repente, adiante, uma Lua tão redondinho, branca e meio amarelada… parecia que ía entrar nas águas negras… escurecidas pela ausência de luz solar, e pelo fechar das cortinas da noite! Não tive outra alternativa! Pedi licença, e fui seguindo, até chegar lá na beira da praia, meio distante da água, pra sentar, olhar, admirar… Não tem como não sentir vontade de chorar, diante daquela imensidão, tão linda, que me impõe respeito através do medo, mas também, do reconhecer a beleza que é ser mar! E Lua!
Vieram pensamentos como:
“E se eu te contasse que não existe diferença entre Lua e Sol?! Que a Lua vem, faz seu show, e nas coxias, troca de figurino, de capa e maquiagem, com o Sol, para que se revezem, como num teatro de marionetes, onde eles são os manipuladores dos bonecos e seus inúmeros fios condutores! Como seria?”
E também, me veio:
“Não é a água que escurece, ao cair da noite! Nem mesmo na manhã seguinte!”

Cantei pro mar, pra Lua, pra mim, pra minha filha, e para os pensamentos que foram vindo… para meus medos, minhas gratidões, para o balaio de emoções que tem um ser humano, ainda mais quando este vem pisciano! S2!
Quando levantei, encasquetei de não pular, mas andar pela praia, ao todo de 7 ondas que passassem por mim, sinalizando que eu já podia voltar pra areia, pra orla, e começar a ir embora, mais uma vez.
Vinha fitando um prédio de desenho bonito, com um losango bem ao centro do edifício. E fui notando, cada hora, um detalhe. Fitei que teria algo na cobertura. Não sei se um restaurante, ou mesmo algum quarto especial, de luxo… Quando finalizei minha 7ª onda oficial… descontei as que mal tocaram minha pele, ou umas duas que acho que perdi distraída… e, quando considerei ter completado, parei, e estava quase numa linha reta com o tal prédio. Uau! Pensei. Será um convite, para eu ir até lá, ver o que é?! O que tem?!
E, de repente, caminhando a passos lentos, me senti uma noiva, casando na praia. Olhei prum lado e pro outro, e lembrei que continuava — fisicamente — sozinha! E aceitei a brincadeira, sem nem conseguir visualizar quem seria o noivo, que me acompanharia. E, no trajeto, rumo ao prédio, aparece um homem e puxa conversa, bem no momento em que eu pensava se isso (de casamento), seria mesmo pra mim, ou se minha sina é mesma continuar e seguir sozinha mesmo…
Aparece um cidadão, pergunta se estou triste… ainda mais que viu algumas lágrimas! Mas, poxa, eu estava num momento, meu, emocionante! Havia cantando ao mar! Coisas de Dorival Caymmi e Cordeiro de Nanã! E assim, ele compreendeu, que tristeza não era exatamente. Puxou conversa, convidou a sentar, na areia mesmo… eu, dura, fui me permitindo, mesmo com medo. Falam tanto, de violência, que eu deveria tomar mais cuidado… foi um papo gostoso! Até que a pessoa se oferece a me fazer massagem e entra num momento em que, até tentei, mas, meu autoconhecimento não me permitiu descansar. Não sei se dispensei O noivo da minha vida. Mas acho que meu coração saberia se fosse pra seguir. Respirei fundo, cortei e disse que precisava seguir o meu caminho! E assim, ele seguiu o dele!
Encarei o prédio, e vi: Marriot!
U-AU! Que audácia, garota! Eu, que na adolescência não entrava em diversas lojas, pois achava que não fossem pra mim… desafiada a entrar no hotel, que estava me chamando, de longe!
Fui devagar, caminhei na orla, vi os trabalhos de artesãos… recebi uma dose de preconceito… pois branquela não é lá um adjetivo aceitável, se não posso, não devo e não quero, praticar o oposto. Também resgatei minha lembrança dos tererês! Quase páro pra fazer um. Mas senti que, assim, consumiria todo e até mais do tempo que pretendia permanecer ali! Fui!
Finalmente, resolvi encarar. Atravessei a faixa de pedestre, que no Rio é diferente de SP, embora não saiba explicar bem o porquê. E entrei! Respeirei fundo, e fui! Passei a porta giratória! E me senti a Gisele, ou uma princesa, mesmo, num momento de transformação!
O cheiro incrível, a restaurante e suas poltronas e sofazinhos, maravilhosos!
Fui ao balcão, me informar de valores de diária. E o moço da recepção me convidou para conhecer a cobertura!
A hora que ele falou, eu pensei, e dividi com ele:
“Nossa! Pareceu Deus falando comigo! Eu estava lá fora, vendo o Luar, maravilhoso, quando olhei pra trás e vi, sim, uma luz, meio lilás, na cobertura! Fiquei imaginando o que seria lá, se um restaurante, ou um quarto especial!…” Pois suba, fique à vontade!
E assim, fui!
Sem muitas fotos, só uma, que nem ficou tão boa!
O celular estava sem bateria, e eu também compreendi:
Aquele era um momento MEU! Como um presente da vida, talvez, pelo tudo que tenho me maltratado! Sim. Durante minhas crises, após e durante brigas, pra não bater nos outros, eu bato em mim mesma! E, não sei como, não ao ponto de arrancar sangue, mas ficando toda dolorida. Tapas, murros. É triste, quando estou fora destes momentos, quero prometer não repetí-los, mas seria injusto comigo mesma, fazer uma promessa que não posso, exatamente, prometer, que vou conseguir cumprir! É mais forte que eu, quando está acontecendo!
E fui recebida tão bem, pela mocinha, a Paula, e depois pelos moços do bar, e pela beleza do local, e vendo que era possível, sim, estar ali, dividindo com alguns afortunados, o momento prazeroso de ter aquela vista, e aquele ambiente tão aparentemente seguro e confortável.
Em pouco tempo, vi coisas felizes e tristes.
Uma senhora, que acha que pelo porte dela, pode tratar funcionários como capachos.
Um adolescente que estava se drogando, e não parava de andar pra cá e pra lá. Parecia conturbado, meio alucinado. E solitário! Passou por mim algumas vezes, com olhar de cumprimento, outras vezes pareceu triste, e numa outra, pediu fogo, para seu cigarro. Não conseguiu comigo, mas com outro, sim. Adolescente é muito, era mesmo um menino! E só espero que ele compreenda a sua própria solidão, e encontre formas de amenizar o que sente!
Mas acabei fazendo as contas e, entendendo que, pelo preço do almoço que não tive, que não parei pra comer nada antes, e comparado aos preços dos quiosques, se eu pegasse uma saladinha e uma porção de mandioca, eu não iria à falência! E poderia desfrutar daquele cenário incrível!
PERMISSIVIDADE
Pena que me sinto uma cinderela!
Você não quer sair, pois também não quer que acabe!
De lá, peguei um táxi, busquei minhas coisas na recepção do hostel onde fiquei hospedada, e fui direto pra rodoviária, de volta pra SP.
A ficha ainda não caiu.
Estou tentando compreender e aprender as lições que tive, as reflexões, e tirar o melhor proveito de tudo o que senti, pensei…
Espero que consiga!
Inclusive, voltar lá, um dia, com minha filha, para o Day Use da piscina!
Por Sheyna Adamo Attar
ou seria pela Dreaminggirl?!

Hay que saber amar,
Hay que saber sufrir,
Después… hay que saber, caminar…
Trecho adaptado de Naranjo en flor / Virgilio Exposito, para narrativa em Depois de Agora, canção de Mani Carneiro
