My Next Decision

O motivo do ódio, as semelhanças e as diferenças entre A decisão e O próximo capítulo .


Na última segunda feira Kevin Durant anunciou através de carta publicada no The Players Tribune que estava l̶e̶v̶a̶n̶d̶o̶ ̶s̶e̶u̶s̶ ̶t̶a̶l̶e̶n̶t̶o̶s̶ ̶p̶a̶r̶a juntando-se ao Golden State Warriors. Seu próximo capítulo será em Oakland, no time mais vitorioso da temporada regular que uma edição da NBA já viu.

NBA 2016–2017 Most v̶a̶l̶u̶a̶b̶l̶e̶ Hated Player.

No domingo já era claro que o Free Agent mais procurado da offseason iria decidir entre continuar em Oklahoma, batalhando com seus velhos companheiros de Thunder, ou formar um dos times mais talentosos da história do basquete no time da grande San Francisco, descartando assim Celtics, Tom Brady, Clippers e sua misteriosa apresentação encantadora além de Spurs e Miami Heat.

A decisão tomada em pleno 4 de Julho, feriado nacional nos Estado Unidos, agitou a internet. Não faltaram piadas, críticas, gente desesperada com o quarteto ofensivo formado por Curry, Thompson, Green e Durant, gente empolgada pelo mesmo motivo, e claro, a já tradicional queima de camisas do Franchise Player que “abandona” sua franquia.

Simplesmente impossível não comparar todo o processo da assinatura do novo contrato de Durant com o que Lebron James fez seis anos atrás, seja pelas diferenças ou pelas semelhanças.

LeBron quando tornou-se Irrestrict Free Agent também foi cortejado por vários times (Knicks, Bulls, Nets, Clippers, Heat além é claro do time pelo qual tinha jogado desde que foi draftado, Cleveland Cavaliers), permaneceu em silêncio e fez seu anuncio da forma mais egocêntrica que a NBA já viu: Em um programa especial de TV, ao vivo, rede nacional, regrado de muita conversa e auto-promoção, o famoso The Decision. Nele anunciava sem nenhum tipo de aviso prévio que estava trocando sua terra natal amada e amorosa Cleveland por Miami. Era como beijar uma menina na festa sem antes terminar de vez com a atual depois do famoso “dar um tempo”. Claro que inconformados pela forma como tudo foi feito a cidade de Cleveland e todo o estado de Ohio odiou LeBron com a força que só o amor pode dar. Evidente que LeBron fez tudo DA PIOR forma possível: Passou a imagem de arrogante, mergulhou nela quando todos assim o taxaram (quem não se lembra do desnecessário espetáculo do pózinho branco pro alto em todo santo jogo do Heat?) mas motivos pra deixar o Cavaliers nunca lhe faltaram.

LeBron que já estava à sete anos na liga, tinha uma final na bagagem (varrida contra San Antonio Spurs em 2007), companheiros de time no minimo controversos sempre sucumbia quando se deparava com times de elencos balanceados entre estrelas (Celtics 2008 e 2010) e estilo de jogo estabelecido (Pistons 2006 e Magic 2009). Vez ou outra ainda conseguia superar essas adversidades (Pistons 2007), mas invariavelmente a impressão que ficava era de que o The King estava lutando sozinho.

Após mais uma eliminação diante do talentoso e superior Celtics de Garnett, (o qual este mesmo teria aconselhado LeBron à pensar em si mesmo e não em carregar um time todo nas costas), ouvindo as promessas de Dan Gilbert (proprietário dos Cavs, que até então nunca foi capaz de cercar LeBron de talento) e a conversa do multi-campeão Pat Riley, além principalmente da chance de jogar ao lado dos amigos Bosh e Wade fica fácil entender a razão do The King ter levado seus talentos para South Beach.

Seis anos depois, com LeBron tendo conquistado 2 títulos no Miami Heat, voltado à franquia a qual “abandonou” e tendo dado o tão sonhado título à Ohio (que aprendeu a cercar LeBron com jogadores talentosos) foi a vez de Kevin Durant fazer movimento semelhante. Assim como LeBron, Durant sai do time que o draftou para buscar um cobiçado primeiro título de sua carreira na NBA. Se LeBron era oriundo de Ohio á Kevin Durant nunca faltou envolvimento com a comunidade local, desenvolvendo um trabalho notável ao longo dos anos em que jogou pelo time de Oklahoma. Então começam as diferenças.

“Unnnn, será que eles vão me odiar?” “Pff, O besta ainda pergunta…..”

Durant nunca sofreu com a falta de talento ao redor, desde que teve condições de brigar por títulos contou com companheiros como Russell Westbrook, James Harden, Serge Ibaka, Reggie Jackson, Kevin Martin, Steven Adams, Enes Kanter. Trabalhou com Sam Presti, um General Manager que fez o possível para sempre fortalecer o elenco do Thunder ao decorrer dos anos em que Durant por lá atuou. Os problemas do #35 eram outros. Desde que trocou James Harden por motivos de Salary Cap o Thunder do técnico Scott Brooks sempre pareceu um time talentoso demais no papel que apresentava pouca variação em quadra. Assistir o Thunder era como ver seu filme favorito pela 34ª vez: Continuava muito bom, mas você sabia cada take do que estava por vir. Os anos passaram, Westbrook se desenvolveu, concentrou naturalmente o jogo em si, Brooks deu lugar à Billy Donovan e o Thunder mudou… pra continuar previsível, cheio de ISOs e com Durant “escanteado” (se é que é possível usar o termo para um dos melhores pontuadores da história da NBA, mas deixou de ser o foco de jogo). Tudo isso continuou válido até os Playoffs desse ano.

Diante do cenário acima era até natural esperar a saída de Durant , mas algo aconteceu nos Playoffs. O antes previsível Thunder engoliu a campanha recorde do Spurs de Kawhi, LaMarcus Aldridge e Popovich utilizando muita variação entre Steven Adams, Enes Kanter, Ibaka, Dion Waiters e Andre Roberson. O mesmo se repetiu nas finais da Conferência Oeste contra os favoritos Warriors. O Thunder esteve à um jogo 6 milagroso de Klay Thompson de eliminar o time com a melhor campanha da história da NBA.

Com tudo finalmente encaixado porque Durant decidiu sair e ir justamente para o Golden State Warriors? Pode ser por querer ser campeão logo, ou viu a chance mais real de conquistar o título. Quem garante que o Thunder não iria voltar a ser o time mais previsível do mundo? Que as novas peças do elenco iriam funcionar? Porque deixar passar a oportunidade do melhor time do mercado batendo à sua porta? O time que tem o estilo de jogo mais legal e coletivo da NBA atual? O time que igualmente a Durant vem mordido pra conquistar o próximo campeonato? Durant certa vez disse que estava cansado de ser segundo, seja no draft (sério Blazers?), na corrida por MVP (Durant já foi vice em disputa contra LeBron James) ou nas finais da NBA de 2012. Não faltam razões para a troca de lar. Assim como também não faltam motivos para o ódio por esta decisão.

Com um movimento Durant transformou o então candidato ao próximo título Thunder em coadjuvante da conferência e fortaleceu o time já histórico de Oakland. Foi como se LeBron tivesse trocado o Cavaliers pelo Boston Celtics seis anos atrás formando um time “imbatível”. É por isso que muita gente torceu o nariz pela decisão do #35. Na cabeça de muita gente foi um atalho para o título. Na cabeça dessas pessoas o próximo campeonato não precisa acontecer pois já tem dono, ignorando Lakers 2004, 2012, Heat 2011 e Nets 2014 pra ficar só na história recente.

Outro motivo do ódio é a velha narrativa. Ela existiu na decisão de LeBron James e mostrou sua força na segunda-feira. Muita gente ainda tem em mente o basquete da década de 90 em que os times eram carregados pelo seu Heroball. Nessa mentalidade um jogador tem que fazer de tudo pelo título e ser o dono do time, não valendo se juntar a um time com estrela já dominante para fazer isso acontecer. Porém esse pensamento entre em conflito quando vemos muita gente criticar jogadores por…. não ter ganho seu anel de campeão. O mesmo jornalista que criticava Kobe Bryant por ser egoísta e ultrapassado nos últimos anos de carreira do Mamba é o mesmo que agora critica Durant, sua efetividade e coletivismo por potencializar sua chances de título que se não vier joga o tal legado pra vala.

Em uma sociedade composta por empresas e pessoas que querem sucesso imediato e falam tanto em coletividade, em trabalho em equipe, em não ter chefe, dono, porque essas mesmas pessoas projetam nos jogadores de basquete uma visão totalmente diferente? Uma vez que são pessoas quase da mesma geração não era natural entender a vontade de vencer de Durant e de se juntar aos que oferecem as melhores condições? Não a toa a maior parte dos comentários negativos vieram de gente mais velha (Barkley) influenciando jovens que na falta de argumento melhor (ou que não se deram conta do quão controverso é esse pensamento) partem para as narrativas. Os esportes de uma maneira geral ainda carregam para muitas pessoas um ambiente de exceção, válvula de escape, que não segue as regras da vida cotidiana, mesmo sendo praticado por pessoas igualmente do século XXI. Outro “erro” são pessoas que insistem em ver o basquete com os óculos dos anos 90, essas pessoas não estão aproveitando a evolução do jogo e a mudança na dinâmica do funcionamento da liga, fica óbvio entender porque elas se decepcionam e acham que tudo era melhor no passado, pois estão querendo que um produto de 1990 seja entregue em 2016! Eu também me decepcionaria todo santo dia se procurasse um Walkman nas lojas de eletrônicos.

Resta á Kevin Durant jogar basketball e ganhar os títulos que são seus objetivos, se não ganhar será criticado, se ganhar também será, então que busque realizar seus desejos. Não há vitória possível contra os críticos. No fundo os jogadores não se importam com essas críticas, elas sempre passam, F̶r̶e̶u̶d̶ LeBron explica.