365 dias depois: onde foi parar o meu controle?

Samuel Gonzaga
Aug 31, 2018 · 3 min read

Há 365 dias atrás eu atravessava o Atlântico e desembarcava em Portugal. Passado um ano deste momento incrível da minha vida, o que mudou?

Você já deve ter lido por aqui meus textos a respeito dessa viagem a Portugal, onde fiquei durante 05 meses (se não leu, tá perdendo tempo hein, 11 em cada 10 amigos do meu Facebook recomendam). Nestes textos, era notória minha realização com tudo que estava acontecendo naquele período. Vivi momentos incríveis, conheci lugares lindos, fiz amizades importantes e pra vida toda, aprendi lições valiosas, me aprofundei espiritualmente. Enfim, cresci bastante.

Voltei ao Brasil em fevereiro de 2018 e desde Portugal já vinha planejando quais seriam meus próximos passos: voltar à faculdade, ao meu antigo emprego, meu time de basquete, minha comunidade de fé…

Meu roteiro desejado (e planejado) era de voltar a ter a vida que eu tinha até agosto de 2017 em Curitiba, agora com um intercâmbio no currículo e ainda mais ambição de terminar a faculdade e crescer profissionalmente. Além das promessas de, em breve, viajar novamente e conhecer outros lugares.

SÓ QUE

NÓS NÃO TEMOS O CONTROLE

Sim. É duro, eu sei. Já devem ter te falado isso, como falaram pra mim. Mas só quando a gente sente na pele é que entendemos.

Logo no meu primeiro dia de volta ao Brasil, minha mãe comunicou:

Suspeita de câncer.

Minha reação? Estamos juntos pro que der e vier.

Minha oração? Senhor, afasta de nós esse cálice, mas que seja feita Sua vontade.

O cálice não foi afastado. A suspeita se confirmou e meus planos mudaram. A partir daquele momento meu foco era outro. Eu necessitava estar com minha mãe, pro que desse e viesse. Comuniquei pastores, universidade, trabalho e amigos que minha volta a Curitiba teria de ser adiada até o fim do tratamento da minha mãe. TODOS entenderam e me deram apoio.

Agora era o momento de remanejar meu roteiro, viver em minha cidade natal no Rio Grande do Sul e iniciar uma nova jornada.

Desde aquela noite de quinta-feira, minha vida deu um giro e eu tinha que saber me adaptar e VIVER essa nova rota. Não é algo fácil. E realmente não está sendo. Foi mais fácil me sentir em casa em outro país do que na cidade que eu nasci. Tem sido difícil viajar 03 horas por dia para trabalhar. Mais difícil ainda é trabalhar em uma área profissional que não é a que eu me preparei academicamente. Nisso tudo, minha espiritualidade murchou e meu amor esfriou.

Não me arrependo da minha escolha. Até porque posso presenciar a fortaleza de Fé em que minha mãe está estabelecida. O tratamento tem sido bem sucedido, o tumor reduz cada vez mais e ela está forte!

Só que dói.

Dói saber que EU NÃO TENHO O CONTROLE!

E esse texto é sobre isto.

Há um ano atrás eu tinha a sensação de que estava no caminho do certo, que seguiria realizando sonhos e conquistando meus objetivos. Um ano depois eu vejo que o caminho que traçamos não contempla algo óbvio: a imprevisibilidade da vida. Na vida, há dor, choro, perdas e tantas coisas que não desejamos, mas que fazem parte da existência humana. Como creio num Deus que nos aperfeiçoa ao longo da jornada, sei que essa imprevisibilidade faz parte do processo de nos moldar, dia após dia.

Mas sendo sincero? Dói, às vezes me sinto perdido, murcho, desanimado, com vontade de desistir, sem entender as razões disso tudo, com medo, vendo meus projetos e sonhos ficarem na gaveta.

Na teoria, eu sabia que o controle não era meu. Hoje, vivo a prática disso.

Confio no final dessa jornada, através da fé. Mesmo que pequena, ela é capaz de mover montanhas. Mesmo cambaleando e quase caindo, o pouco de fé ainda me mantém.

E o meu conselho é simples (e descobri recentemente que também é uma gíria carioca do momento): FÉ pra tudo!

O controle não é seu, mas confie Naquele que controla.

É isso.

“Eu caminhava e não enxergava nada, ainda por cima a pé
Vista embaçada, não via a chegada, ainda bem que eu ando pela Fé.” L7NNON.

Samuel Gonzaga

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Aprendendo a não ser quem eu sou.