Ela me respira.

Se juntar os descombinados, teríamos nos visto mais de dezenove vezes, mas não conseguimos encher uma mão com as vezes que nos encontramos, eu e ela.

Pra falar a verdade a gente quase se trombava, não tivemos ainda um encontro. Parando pra pensar, acho que isso é um pouco culpa minha —sabe aquele negócio de conhecer uma pessoa, conversar com ela, chamá-la pra sair, jantar/sorvete/cinema/beijinho/possível motel? Nunca fiz.

Já namorei várias vezes, mas nunca tive um primeiro encontro pra chamar de meu. Saímos, eu e ela. Jantamos? Filme? É, mais ou menos. A gente se trombou, metaforicamente como nos filmes. E literalmente como nos filmes, não nos desgrudamos, mesmo longe.

Ela me respira, eu a expiro. Ela me inspira, eu a sorrio.

Ela abriu o seu armário e me contou os segredos que escondia, eu dedilhei os meus monstros de estimação. Nos conhecemos, desconhecendo o caminho que seguíamos. No se for, será, estamos sorrindo, muitas vezes de mãos dadas.

Rimos. Dois bobos, rindo. Nos admiramos. Dois fãs com seus ídolos. Insistimos. Dois românticos com seus versos.

Seria melhor parar aqui, deixar essa história ser um caso do ocaso enquanto por acaso ainda era verão. Porque o outono vem e sempre seca a nossa alma. Mas é o abraço dela que eu quero quando o inverno enfim chegar. E então, teremos selfies nas flores.

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