Faltou tempo ou foi mal-feito?

Tempo, este maldito. O advogado protocolou petição sem conferir dados e documentos? Falta de tempo. O jornalista publicou notícia sem verificar os dados e fatos? Falta de tempo.

O técnico da TI formatou o computador mas não instalou os programas necessários? Tempo. O juiz não conferiu o despacho do estagiário? Tempo.

O caixa do mercado não falou que estavam faltando 20 centavos no seu troco? É corrido, falta tempo. O aluno foi mal na prova, entregou trabalho atrasado, não soube responder pergunta em sala? Não deu tempo de estudar.

Podemos culpar a sociedade imediatista, a quantidade de trabalho e afazeres, podemos culpar o relógio, o trânsito, o horário de verão, a precariedade e a terceirização. Mas a verdade é que boa parte do trabalho é simplesmente feita de má-vontade.

Não queremos trabalhar com o que trabalhamos. Não queremos fazer a parte burocrática, a parte enjoada ou trabalhosa e entediante. Nós recebemos uma visão metafísica de que nossas vidas seriam eternas aventuras, carpe diem, coisa e tal. Mas estamos tentando galgar nosso caminho, nossa independência e para isso, a gente acaba tendo contato com a parte chata da vida.

E isso inclui ler páginas de relatórios, perícias, olhar mais atentamente aquela cárie do quarto paciente que você atende pela manhã. Inclui revisar aquele texto e se perguntar porquê só tem uma fonte alegando todas aquelas verdades. Confirmar se focinho de porco realmente faz parte do sistema respiratório de um suíno, e não de uma rede elétrica residencial. Porque às vezes, o focinho de porco é sim tomada. E se não prestarmos atenção, vai passar como focinho de porco e a bomba vai estourar em breve, no nosso colo ou no dos outros.

E é complicado perceber que seus erros, suas informações erradas atingiu outras (às vezes várias) pessoas. Seja seus colegas de trabalho, que a reputação deles também foi atingida, seja pessoas que dependiam do resultado do seu trabalho, seja a sociedade de maneira genérica.

Tempo? Talvez. Preguiça? Possível. Insensatez? Provável. Prepotência? Com certeza.

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