Gerúndio de amor não dói.

As pessoas não tem mais paciência com o gerúndio. Ninguém gosta do gerúndio, a geni da conjugação verbal. Raiva de telemarketing, agonia de construções frasais errôneas, mas eu acho que também tem uma pitada de subconsciente aí. Não é só a má utilização alheia que nos afasta do gerúndio, mas o seu próprio contexto.

Não temos paciência (dizemos que não temos tempo, quando na verdade não temos paciência) para ver as coisas crescerem. Para o lento arrastar dos processos. Para a demora de um relacionamento surgir, crescer, evoluir.

Ninguém nos conhece. Não conhecemos ninguém. E mesmo assim, queremos ter toda uma comédia romântica — menino encontra menina, menino e menina se dão bem, menino e menina ficam juntos, menino faz besteira com menina, menino se arrepende, menina fica brava, menino se esforça de uma maneira impressionante porque menino acredita que menina é única, menino fica junto com menina — em duas horas e meia, como se o timelapse dos filmes fosse exatamente esse.

Precisamos ter paciência, até porque a nossa falta de paciência não é para com os outros: mas para conosco mesmo. Precisamos nos dar tempo das coisas acontecerem. Saber quando nos enrolar, quando investir, quando publicar.

E então, como casal, podermos ser os mesmos que sempre fomos, desde que nos conhecemos. Que saímos pela primeira vez. Compartilhamos os primeiros vídeos favoritos no YouTube, vimos os primeiros filmes no cinema. Sempre, constantemente, crescendo, evoluindo, sonhando, vivendo, construindo.

Muitos verbos no gerúndio. Até gosto. Ou estou gostando?

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