Três.

Ela chamou do portão, e eu já sabia o que iria acontecer. Desde a primeira vez que a vi saberia que seria assim. Eu a reconheceria independente de como ela estivesse.

Ela me chamou do portão, e desde antes disso eu já me segurava para deixar as coisas rolarem naturalmente. Mas como deixar acontecer algo que é tão inevitável?

Ela me chamou do portão, e eu me levantei da rede. Abri e a beijei. Senti o seu olhar, tão apaixonado, senti a alma dela aberta, me encarando, pedindo por mais de mim.

Eu tinha a conhecido há alguns meses, entre uma roda e outra de amigos. Na primeira noite que a vi, adicionou-me ao Facebook. Na segunda, sorriu. Na terceira, dançamos.

E aqui estamos, nos beijando no portão. Como as coisas eram simples durante esse beijo. Como a vida ficava leve durante esse beijo.

Fazem três meses desse beijo. Hoje, ela me chamou no portão. Na mesma rede, eu já sabia há mais de três meses como seria a nossa história. Há mais de três meses eu sabia que chegaríamos aqui.

Fazem três meses desse beijo. Hoje, ela me chamou no portão. Levantei mais rápido dessa vez, abri e a beijei. Senti o seu olhar, entristecido. A alma pesada. O olhar dela, molhado, lágrimas escorrendo pela maquiagem borrada.

Fazem três meses desse beijo. Hoje, ela me chamou no portão. Nossa beijamos e com um pouco de gaguejar, terminamos. Ela tinha descoberto, eu já sabia há mais de três meses. Eu dei errado.

Fazem três meses desse beijo. Hoje, ela me chamou no portão. E foi embora. E mais uma culpa deixou para que eu cuidasse.

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