Cigarro Apagado
Stefano Dazzi
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Como fixou em minha mente a ideia do gosto “de cigarro apagado
que não apagou direito e continuou queimando até a bituca.”

Stefano Dazzi , seu texto brinca com a sinestesia, de um modo que, cada vez que o li (e o fiz várias vezes, confesso) senti o cheiro do cigarro, senti o gosto do cigarro, pude ver a imagem incandescente da ponta do fumo aspirado.

E toda mística que o cigarro carrega (assim, como o fazem bebidas, por exemplo, como o vinho, o absinto, o uísque, enfim,…, por isso bons elemento pra se trabalhar em determinados temas), que já traz a imagem de espírito abalado, que roga conforto de um lugar qualquer, foi muito bem aproveitada aqui.

E ao ler “amargura” o gosto do cigarro que surgira em minha boca, mudou, e perdurou, até encontrar a alma dura, na linha final.

Muito bom seu trabalho.

Seja bem-vindo à Ensaios — ESL.

E convido os leitores a conhecerem (se é que já não conhecem) sua outra faceta, para além dos versos, em que constrói fantásticos “contos curtos”, tão intensos como uma forte tragada, ligeiros como queima a ponta do cigarro.