Claudia e Ana
Ryo
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Ryo , texto fantástico, cara. Sou apenas elogios. E por várias razões.

Em um texto relativamente ligeiro consegue incutir no leitor uma série de dúvidas sobre o que ele está diante. Isso, sem deixar qualquer frase perdida ou fora de contexto. Pelo contrário, confere coerência à dualidade que constrói. E numa só leitura, é possível apaixonar-se (identificar-se) com Ana, com Cláudia, com o encontro de ambas, e com Ana Cláudia. E nesta espiral de sensações e ideias, consegue guiar o leitor, com maestria, rumo ao clímax do desenlace. Ao cabo, fica a perplexidade, proposital, que faz o leitor deixar o texto (se não cair na tentação de relê-lo), entretanto, o texto não abandona o leitor, que permanece com ele em sua mente, maquinado…

Agora, em especial, quero saudá-lo, pelo creio ser de maior importância neste trabalho. A qualidade de seus escritos já é conhecida há tempos, tanto pela repercussão que possuem no Medium, quanto pela consciência dos que acompanham seus escritos. Como costumeiro, emprega uma linguagem fluída, cadência impecável, extensão ideal e encerramento marcante. Porém, em regra, trata-se de outra linha. A ousadia do que nos oferece aqui é algo espetacular, digno de ovação. Não apenas pela ousadia do tema, pelos possíveis tabus abordados, pela complexidade psicológica e pluralidade social abarcadas no conteúdo. Mas, em especial, por ter ido ao encontro da proposta da Ensaios Sobre a Loucura, e comprar a proposta que buscamos fomentar e ter a coragem de enveredar-se por gênero textual diverso do que está habituado. Seria muito fácil manter o que já faz tão bem para ouvir os aplausos de sempre. Todavia, levantou-se do sofá e, afirmo, subiu direto ao pódio (pra não dizer que subiu na mesa, pronto pra criar o rebuliço).

Por tudo isto, parabéns, novamente. Estética, conteúdo, forma, reflexividade, e arrojo. O que mais um texto poderia ter?

Seja bem-vindo à Ensaios Sobre à Loucura — ESL.