Atendimento pediátrico que faz a diferença e salva vidas

Após correr atrás de uma pipa e sofrer queimaduras, garoto recebe rápida assistência na pediatria e já pode voltar para casa

Robert e o primo Samuel foram salvos graças ao trabalho feito no Complexo Hospitalar de Contagem

O que era para ser uma inocente brincadeira de criança quase virou tragédia. Mas, com a ajuda do atendimento prestado pela pediatria da rede SUS/Contagem, a história de um garoto que correu atrás de uma pipa, mas que acabou se tornando vítima de queimaduras nas pernas e nos pés ganhou um final de superação, após mais de 30 dias de internação na pediatria do Complexo Hospitalar de Contagem (CHC).

Robert Victor, um jovem de 12 anos que, como outros de sua idade, gosta de soltar papagaio, foi passear na casa de parentes, na região de Vargem das Flores, em um domingo de sol, no dia 30 de julho deste ano. Na companhia de um primo, de oito anos, viu uma pipa tremulando no ar e correu para pegá-la. Quando ele e o primo começaram a descer um barranco na direção do papagaio, perceberam que algo estava errado. Sem querer, acabaram caindo em uma vala de queima de alho. “Aí, a gente perdeu o chinelo. As cascas de alho ali, todas queimando. A gente foi afundando. Queimou aqui, ó (mostra as pernas e os pés). Em que eu pensei? Em dor. Doía muito. Deus, me ajuda!”, relata o menino.

Robert, que teve 10% do corpo queimado e queimaduras de terceiro grau (profundas), foi admitido na pediatria do CHC no dia 30/7. Entre os muitos procedimentos pelos quais o menino passou, o monitoramento constante de sinais vitais, transfusão sanguínea e colocação de enxerto. Após permanecer por mais de um mês se recuperando no hospital e passar por procedimentos muito dolorosos, que necessitaram até de sedação, como a troca de curativos e a retirada de pedaços de pele morta, o menino pôde finalmente receber alta, no dia 1º de setembro. O rápido atendimento hospitalar que recebeu foi importante para seu processo de recuperação.

De acordo com o coordenador da Cirurgia Plástica do CHC, Marcelo Pereira, as primeiras 48 horas são decisivas no tratamento de pessoas queimadas. “A pele é o órgão de defesa e proteção do organismo que, entre outras funções, regula a temperatura corporal. Com as queimaduras mais sérias, os mecanismos de regulação podem entrar em colapso. Nesses casos, são necessários cuidados intensivos e esses pacientes precisam ser, imediatamente, encaminhados ao hospital”, explica o médico.

Depois do incidente, Robert e seu primo, Samuel, foram levados por familiares até a Unidade de Pronto Atendimento (Upa) Vargem das Flores e, ainda no domingo, 30/7, foram transferidos para a ala pediátrica do CHC, que antes funcionava nas instalações do Hospital Municipal de Contagem e que, desde o início do mês de agosto, foi deslocada para o terceiro andar do Centro Materno-Infantil (CMI) Juventina Paula de Jesus.

Robert fez questão de agradecer a cada um dos profissionais que o ajudaram na recuperação

Graças aos investimentos feitos pela Prefeitura de Contagem em todo o Complexo Hospitalar, de mais de R$ 2 milhões, a capacidade da unidade saltou de 44 para 171 leitos, um aumento de quase 400%. Agora, os cuidados com a saúde da mulher e da criança estão concentrados em um só local, capaz de oferecer muito mais estrutura e qualidade de atendimento em saúde materno-infantil.

Já nas novas instalações da pediatria do Complexo Hospitalar, Robert, em meio ao enfadonho comum às internações hospitalares longas, passava o tempo alternando entre brincar no tablet e assistir tevê. “Aqui tem até televisão! ”, ressalta ele. “Lá na pediatria antiga era um quartinho, com um vidro assim, e um banheiro. Era feio. Aqui, é mais bonito. É tudo legal”, diz o jovem Robert, lembrando-se de citar, nominalmente, muitos dos profissionais de saúde que o atenderam durante o tempo em que esteve internado no hospital. “O que eu tenho a dizer a eles é isso: muito obrigado”, resume o garoto. “A equipe de cirurgia plástica do Complexo Hospitalar faz tudo o que está ao alcance, com o maior carinho”, agradece o médico Marcelo Pereira. “Agora, ele precisa fazer um acompanhamento durante um ano”, frisa o médico.

O primo de Robert, Samuel, foi o primeiro a receber alta, cerca de uma semana antes. Na sexta-feira (1º), quando Robert, finalmente, recebeu alta, já sabia o que mais queria fazer quando chegasse em casa: “Eu vou fazer a surpresa para o meu irmão, o aniversário dele é hoje. E depois eu vou dormir. E ver meus filmes”.

Data: 05/09/2017

Repórter: Carolina Brauer

Fotos: Adelcio Barbosa/Elvira Angel