Maternidade oferece anestesia durante trabalho de parto

Agora, no Centro de Parto Normal (CPN) do CMI, passar pelas dores ao dar à luz é uma opção dada à gestante

Iniciativa contribui para protagonismo da mulher em seu trabalho de parto e para a humanização da assistência prestada

Sempre que houver condições clínicas, a pessoa mais apropriada para definir qual é o limite das dores do parto que pode ser suportado por uma mulher grávida na hora H é a própria gestante. Poder contar com a anestesia fortalece o protagonismo da mulher nas suas escolhas quanto aos procedimentos que deseja ou que quer evitar durante o trabalho de parto. E se a mulher pode participar mais ativamente do seu trabalho de parto, o atendimento às gestantes também é fortalecido e humanizado.

No Centro Materno Infantil (CMI) Juventina Paula de Jesus, desde o dia 7 de agosto, é assim: após avaliação de riscos e benefícios pela equipe médica, a mulher que deseja pode solicitar a anestesia durante o trabalho no Centro de Parto Normal (CPN) da maternidade de Contagem. Antes disso, à mulher não era dada a escolha de optar ou não pela anestesia se o seu trabalho de parto era considerado “normal” e sem intercorrências, ficando o oferecimento da anestesia restrito a certos casos.

“Mas ter um parto ‘sem intercorrências’ não implica em ter um parto sem dor. Quem sabe o quanto dói é a gestante. Agora, nossas gestantes têm o direito de contar com analgesia nas salas de pré-parto e parto do CPN”, explica o coordenador da clínica de Anestesiologia do Complexo Hospitalar de Contagem (CHC), Cláudio Luis Rocha.

“Eu prefiro não tomar. Mas saber que posso pedir se eu não estiver aguentando, e receber a anestesia é uma opção faz toda a diferença”, disse Talyta Gonçalves, 25 anos, durante o trabalho de parto do seu primeiro filho que ocorreu na sexta-feira (11), nas instalações do CPN. O filho de Talyta, Davi Luca, nasceu de parto normal naquele mesmo dia. Uma hora depois do nascimento de Davi, Talyta já estava no alojamento conjunto.

Investimento em saúde pública, na contramão dos tempos atuais

A maternidade de Contagem passa a oferecer anestesia durante o trabalho de parto em um contexto no qual maternidades públicas correm o risco de fechar as portas, como a maternidade de Betim, no final do ano passado, ou em que são acionadas por órgãos como o Ministério Público, como a Maternidade Odete Valadares, que no plantão do último sábado (12) enfrentou a falta de anestesiologistas.

Cláudio Luis Rocha, coordenador da clínica de Anestesiologia do CHC, afirma ainda que na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), atualmente, poucas são as maternidades públicas que ofertam anestesia durante os trabalhos de parto normal, como Odete Valadares e Sofia Feldman. Agora, desde a segunda-feira passada, a maternidade de Contagem passa a integrar esse seleto grupo.

Para isso, a atual gestão ampliou a equipe de anestesiologistas e investiu em insumos necessários, como cateteres. “Comecei a trabalhar na rede SUS/Contagem em 1998. A maternidade estava sucateada, e agora, nesta gestão, ocorre essa reviravolta. Hoje, a estrutura física do CMI para assistência à gestante é uma das melhores da RMBH em termos de saúde pública. Em outros lugares estamos vendo desassistência, e aqui tem acontecido o contrário: aquisição de materiais e equipamentos, melhoria das condições de trabalho e reformas estruturais diversas. Estamos vivenciando uma melhora muito expressiva”, testemunha o médico.

Data: 15/08/2017

Repórter: Carolina Brauer

Foto: Elvira Angel