Um convite a não conformidade

O tempo é curto. Vivemos em média 75 anos se tudo correr bem. Cerca de um terço deste tempo é reservado ao sono. Todo o restante é dividido em anos, meses, semanas, dias e horas que passam sem que nos demos conta do seu ineditismo e da sua brevidade. Passamos a maior parte nos dedicando a algo que supra nossas necessidades básicas e desejos momentâneos e, à medida do possível, tentamos realizar os nossos objetivos pessoais.
Assim, descontado o tempo que já passou desde que nascemos, temos um horizonte a vista que a qualquer instante nos assombra com o seu fim e que flui a todo instante como preparatório da morte. Qual sentido daremos a esse percurso? Como você tem passado o seu tempo desde então? Quais as prioridades que você tem colocado a frente nos últimos meses?
Sim, a vida é muito breve e isso não é novidade para ninguém. Mas muitos preferem ignorar este fato e escolhem não ser protagonistas e responsáveis pela sua caminhada. Escolhem o mais do mesmo, a viver dentro da mediocridade, o tanto faz, tanto fez. Uma vida morna e sem sabor, sem tesão e potência em rumo aquilo que se aspira.
Você tem levado a sua vida a sério?
Cada dia é uma nova oportunidade para você colocar em ação a suas potencialidades, de se desenvolver e aprender algo novo, de contribuir com o seu melhor. Não importa onde estiver ou qual condição você se encontra, a sua vida é única! Nenhuma vida será igual. Então, qual será sua história? Qual será o seu legado?
Como você quer ser lembrado quando você partir deste plano?
Se você está permitindo se deixar levar por pensamentos conformistas, trate de acordar agora mesmo, pois sua obra é fruto daquilo que você faz neste momento. Não tente se esquivar ou justificar a sua falta de iniciativa por falta de motivação ou condições para realizar aquilo que te desperta interesse, do que você sente que deve ser feito. No fundo você sabe que deixar para amanhã é somente um falso tranquilizante que o impede de agir, de pensar verdadeiramente sobre o seu rumo.
Pense bem: Você quer mesmo passar uma vida inteira lamentando o que você não é, daquilo que não aconteceu, ou que poderia ser diferente?
Somos o único animal que sabe que vai morrer e, embora evitemos pensar sobre isso, carregamos este fardo em todos os nossos dias. Também somos o único que sabe o que nos faz mal, de modo que, quando praticamos ou ingerimos algo que nos prejudica, o fazemos conscientemente. Sabemos inclusive que nossa vida beira a indiferença se não tomarmos uma atitude responsável e, ainda assim, tendemos a escolher e aceitar que nada precisamos fazer, que não somos bons o bastante, optamos pelo modo “deixa a vida me levar; Vida leva eu”.
Todo dia pode ser o seu último, pois ninguém sabe quando será o fim. Temos somente uma expectativa média que é algo incerto que aconteça até chegarmos lá. Que nos tranquiliza e nos dá esperança em viver os dias crendo que temos um longo saldo que não nos faz sentir ao ser descontado “mais” um dia. O futuro nos conforta, mas nos amarga quando presenciamos uma fatalidade, uma morte “antes do previsto”.
Por isso, é importante que façamos qualquer coisa que seja significativa a nossa particular existência. Pode ser um novo hábito que você está tentando adotar, um livro que há tempos você deseja ler, um exercício físico diferente, aquela caminhada que você vem prometendo a si mesmo há dias, ou aquele contato com um amigo que você não fala há um bom tempo. Qualquer coisa que está sendo colocado para “algum outro dia’, trate de trazê-lo agora para a sua realidade, para dentro das suas prioridades maiores. Não passe mais nenhum dia sem trazer e realizar algo significativo para si.
Diga não ao que não lhe faz bem, ao que não lhe traz nenhum aprendizado, nenhuma reflexão ou utilidade maior. Pare de viver somente em função do prazer, da distração e a satisfação momentânea. Não use isto como fuga para não pensar e encarar a verdade sobre si. Enfrente seus problemas e a realidade, ainda que doa, ainda que gere sofrimento.
Somos incomparáveis e inéditos
Evite a comparação, de achar que fulano é melhor que você porque tem melhores condições, talento, ou conseguiu realizar mais. Faça o SEU melhor! Com as ferramentas e condições que você possui. Pois desta maneira é inevitável que haja um progresso, um aperfeiçoamento, uma contribuição significativa.
Use os exemplos de outras pessoas para inspirar suas ações, para vislumbrar novas possibilidades e não para servirem de boicote para a seu potencial. Se você está aqui, é por que você pode e deve contribuir com algo também, dentro da realidade tal como é apresentada e da circunstâncias presentes.
Esqueça a vida daqueles que tem maiores facilidades e privilégios. Em vez disso, observe aqueles que possuem menos recursos, menos condições e que ainda assim estão realizando, correndo atrás, superando novos desafios dia após dia. Dê o SEU máximo!
Fazer arte é difícil. Vender é difícil. Escrever é difícil. Fazer a diferença é difícil. — Seth Godin.
Epitáfio
Não postergue mais a responsabilidade por sua vida, pelos seus valores, pela sua jornada pessoal. Ela é única, exclusiva e muito curta. Apesar do fato de não termos controle de tudo, podemos influenciar nosso caminho com as nossas escolhas, com aquilo que queremos e temos vontade em realizar.
Pergunte-se: Quando eu estiver prestes a morrer, quais as memórias que gostaria de ter? O que eu me arrependeria se não fizesse? O que realmente desejo? O que me importa? Quais os meus valores?
Anote tudo o que lhe vier à mente, todas as ideias, sonhos, projetos e metas que você não quer deixar de fazer antes de partir. Transforme todo este acervo de informação numa espécie de mapa de si. Estas serão as coordenadas que irão nortear suas escolhas e seus esforços em direção ao que você quer.
Finalmente, esteja disposto a trabalhar e a se esforçar para isso, pois, como dito, não será nada fácil. Uma vida com propósito é aquela que escolhemos e lutamos dia após dia para trazê-lo a tona e torná-lo uma realização advinda de nossa capacidade. Logo, qual é a obra que você está construindo e dedicando seu tempo?
Texto originalmente publicado em 6 de Out de 2016 no site Livre Manifesto.