De Volta Para O Futuro — Parte Dois: eu quero meu hoverboard

O futuro é hoje, meus caros; afinal, é em 21 de outubro de 2015 que nossos queridos viajantes desembarcam para novamente bagunçar o continuum espaço-tempo, deixando várias dúvidas pelo caminho. Tratarei disso ao longo do texto, mas vamos à história.

O filme começa exatamente de onde a primeira parte terminou: Marty McFly volta para 1985, onde percebe que sua vida mudou pra melhor e reencontra sua bela namorada, aqui interpretada por Elisabeth Shue, já que Claudia Wells, a Jennifer original, não pôde participar da parte 2. Doc Brown chega numa versão voadora do DeLorean (movida a lixo e não mais plutônio, graças ao Mr. Fusion) e diz que eles têm que viajar para o futuro, e tambem que Marty pode levar a garota junto já que o assunto também diz respeito a ela.

Em uma entrevista nos extras do DVD, o diretor Robert Zemeckis revela que originalmente eles não pretendiam fazer uma sequência. O final aberto da primeira parte seria só uma piada, caso contrário ele nunca teria colocado a namorada de Marty no carro — por isso a personagem passa a maior parte do filme inconsciente. Outra ausência é Crispin Glover, o pai bobalhão, que por problemas contratuais não aceitou participar do filme; pelo que li por aí, Glover queria um salário mais alto e liberdade para mudar as falas de seu personagem.

Doc explica que eles estão ali para impedir que Marty McFly Jr se envolva em um crime na companhia de Griff Tannen, neto de Biff — o que destruiria a família McFly, pois sua filha também acabaria sendo presa tentando resgatar o irmão. Marty encontra o bandido em uma lanchonete temática dos anos 80 e quase põe tudo a perder quando fica todo nervosinho ao ser chamado de covarde, já que ninguém pode chamá-lo assim. Isso deve ser efeito das mudanças na linha do tempo feitas no primeiro filme, uma vez que anteriormente não foi feita nenhuma referência a essa raiva que McFly sente quando questionam sua coragem.

Um fato engraçado da parte dois (e que perde um pouco a graça na parte três) é que muitas cenas se repetem em épocas diferentes. Aqui no caso a cena do skate, onde Marty é perseguido por Griff e sua gangue usando hoverboards, que são uma espécie de skates voadores, mas consegue se safar e manda os bandidos pro xilindró.

Após alterar o destino de seu filho, o rapaz decide levar uma pequena lembrança do futuro: um almanaque de esportes contendo o resultado de diversas partidas, com a intenção de fazer umas apostas e ganhar uma bela grana. Ao descobrir o propósito de Marty, Doc dá um tremendo esporro nele, dizendo que não criou a máquina pra fins lucrativos e que é muito perigoso alterar a história. E é aí que minhas dúvidas começam. Se é tão perigoso alterar a linha do tempo, porque diabos Doc Brown os levou ao futuro justamente pra isso? Dúvidas e mais dúvidas.

Jennifer é encontrada desacordada por policiais que a identificam através das digitais e a levam para sua futura morada; cabe aos viajantes então a missão de resgatá-la para que possam retornar pra 1985. É quando descobrimos que Marty tem uma vida de merda e um acidente o impediu de realizar seu sonho de ser um guitarrista. Quando eles voltam, encontram a cidade de Hill Valley desolada e descobrem que Biff usou o DeLorean pra voltar no tempo e entregar o tal almanaque de esportes a ele mesmo na década de 50, o que o tornou multi-milionário em um curto espaço de tempo.

E como tudo pode piorar, Lorraine é agora esposa de Biff, já que George McFly está morto. Ao ser confrontado, o vilão revela então como conseguiu sua fortuna, e diz que foi avisado por sua versão idosa que algum dia um garoto ou um cientista maluco iriam perguntar sobre o almanaque. Biff confessa ainda ter matado George e tenta fazer o mesmo com o rapaz (“dois McFlys com a mesma arma” — sempre adorei essa fala).

Marty se safa graças a Doc e sugere que eles voltem a 2015 para impedir que Biff roube o DeLorean, mas o cientista diz que é impossível, já que o futuro onde eles estiveram não existe mais. Então nossos heróis precisam voltar ao passado e impedir toda a tragédia, o que também me fode com a cabeça, já que nesse 1985 alternativo Marty nem deveria estar em Hill Valley; num dado momento, Biff diz que ele deveria estar na Suíça num colégio interno, de forma que ele não poderia ter feito nenhuma viagem no tempo, uma vez que, com a mudança feita pelo vilão na década de 50, ele não teria sequer conhecido Doc Brown (que nessa nova realidade é internado em um sanatório provavelmente sem concluir a máquina do tempo).

Deu pra sacar o paradoxo? Uma explicação possível é o fato de Marty já estar na década de 50 quando o Biff velho chega, mas uma cena deletada o mostra devolvendo a máquina do tempo em 2015 antes que os protagonistas percebam sua ausência, e assim que isso acontece ele começa a desaparecer, mostrando que aquela realidade está sendo apagada. Portanto, minha teoria é que o mesmo aconteceria com os outros personagens, anulando tudo que aconteceu até então, inclusive a viagem do primeiro filme.

Acabo de perceber que estou tornando esse texto mais confuso que uma saga da DC Comics, então vamos logo ao final da história. Depois de uma série de contratempos, Marty recupera o livro e altera (de novo) o futuro de sua familia. Porém, quando está prestes a voltar, o DeLorean é atingido por um raio e desaparece, deixando o rapazola preso no passado.

E quando tudo parece perdido, uma carta é entregue ao jovem por um mensageiro da Wester Union, e nela ficamos sabendo que ainda há esperanças, por isso aguardo vocês na sexta-feira pra conclusão dessa emocionante aventura; não vá perder!

De Volta Para O Futuro 2 (Back To The Future Part 2)
País/ano de produção: EUA, 1989
Duração: 108 minutos
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson

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