Robo Vampire: o Robocop da Carreta Furacão

A internet facilita muito a vida de desocupados como eu, que dedicam seu tempo a pesquisar e assistir filmes que a grande maioria das pessoas não passaria nem perto. E foi através dela que descobri mais essa maravilha, que com muito gosto compartilharei com vocês.

Mas, antes, uma pequena explicação. A edição é uma das partes mais importantes no processo de criação de um filme; afinal, uma simples modificação de uma fala ou adição de uma nova cena pode mudar completamente uma história, tornando o resultado final muito diferente da visão inicial do diretor. Agora imagine o que acontece quando se pega um filme já finalizado e simplesmente se “encaixam” umas novas cenas com personagens e situações que nem sequer existiam na versão original, criando assim um filme totalmente novo.

Essa prática era muito comum antigamente, principalmente em produções asiáticas vendidas direto para cinemas pequenos ou fitas VHS no ocidente. Na resenha de “Thriller — A Cruel Picture”, eu mencionei de forma breve produções originalmente softporn em que foram inseridas, posteriormente, cenas de sexo explícito. Pois bem, é mais ou menos isso — só que, ao invés de sacanagem, em alguns filmes são inseridos ninjas, por exemplo.

Eu sinceramente não vejo nada demais nisso, afinal qualquer coisa fica mais legal se tiver ninjas (nos anos 80, um diretor chamado Godfrey Ho se tornou especialista em inserir quase que aleatoriamente esses amáveis assassinos silenciosos em suas produções barateiras. Algumas fontes creditam Ho como diretor de Robo Vampire, porém não há nenhuma comprovação disso). Mas o grande problema dessa prática é que, na maioria das vezes, a edição é feita de forma tão porca que deixa o filme sem pé nem cabeça. Não que eu espere coerência e roteiros bem escritos nesse tipo de porcaria, mas enfim, vamos ao filme.

Tudo começa com dois soldados (que, apesar da roupa camuflada, não usam coturnos e nem cortes de cabelo característicos das forças armadas) que conduzem um prisioneiro asiático através do que parece ser um cemitério. Porém, os caixões estão a céu aberto, e de dentro de um deles saltam algumas cobras que assustam os soldados. O pior ainda está por vir, já que de outro caixão salta um jiangshi (espécie de morto-vivo chinês meio vampiro, meio zumbi — qualquer dia escreverei sobre “Kung Fu Zombie, um filme de luta horrível que explora essas criaturas), que devora sem dó os milicos.

Os mortos-vivos chineses são ressuscitados com feitiços de monges taoistas, e eis que um traficante decide usá-los para enfrentar agentes da Narcóticos que atrapalham seu negócio. Um deles é Tom, nosso Alex Murphy genérico, que morre ao ser atacado por um dos vampiros cheios de truques (apesar de andarem dando pulinhos ridículos, os jiangshi, entre outras coisas, soltam gases venenosos e uma espécie de projétil disparado pelos dedos). É então que nosso “Robocop” entra na história.

Mas a fantasia do tal robô é de uma precariedade assustadora. É uma roupa de nylon prateada que não engana ninguém; nem o andar duro e os efeitos sonoros metálicos, nem mesmo toda boa vontade do mundo fariam alguém acreditar que aquilo é uma armadura. É pior que aqueles personagens de trenzinho infantil de quebrada (confira aqui: http://bit.ly/1VV5lb2).

Isso sem contar que um dos tais monges cria também um “super vampiro”, que na verdade é um sujeito com uma máscara ridícula de macaco no melhor estilo Monga, a mulher gorila. Aparentemente, o tal macacão é amante de uma bruxa (que usa uma camisola transparente mostrando os peitinhos), mas isso é só mais uma das muitas coisas que não fazem o menor sentido aqui.

Enquanto isso, cenas de outro filme de ação tailandês são usadas para encher linguiça e preencher a cota de explosões necessárias pra um filme de ação. As historias não se cruzam (até porque foram filmadas em épocas e com elencos diferentes); enquanto o “robô” gasta balas com as criaturas sobrenaturais, que não são afetadas por munição normal, outros agentes tentam resgatar uma agente da Narcóticos mantida refém por traficantes.

Mas como eu sempre digo, no fim o que vale é rachar o bico chapadão (ou não; vai de cada um) de toda a ruindade exposta na tela. Se você não é dessa vibe, já sabe: nem tente assistir a esse negócio, pois você vai se frustrar. Mas se quiser arriscar, não tente levar a sério e nem entender o que se passa.

Robo Vampire
País/ano de produção: EUA, 1988
Duração: 90 minutos
Direção: Joe Livingstone (ou Godfrey Ho, quem sabe?)
Elenco: Robin Mackay, Nian Watts, Harry Myles

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