Rocky 4 — Rocky it to Russia

A essa altura você já sabe que a história vai começar com um resumo do filme anterior, não é? Pois bem, depois da luta com Clubber Lang, Rocky troca umas porradas amistosas com Apollo Doutrinador e, ao voltar pra sua mansão, ele é recebido por seu filho, que agora aparenta ter uns 9 ou 10 anos de idade. Na última vez que o vimos, ele aparentava no máximo 5, e pelo que entendi a coisa toda começa alguns dias depois do Rocky 3 — futuramente discutiremos o crescimento anormal do herdeiro dos Balboa.

Dentro da casa está rolando uma festinha de aniversário pro cunhado parasita Paulie, que ganha de presente um improvável criado robótico, o que o deixa insatisfeito só pra variar. Nunca entendi o porquê dessa porcaria de robô; deve ser algum jabá ou coisa do tipo. É um puta trambolhão que nada tem a acrescentar à narrativa, mas até que é maneiro. Esses dias o vi num episódio de Family Guy, e lá, como aqui, ele aparece sem motivo algum.

A paz reina na vida do garanhão italiano por pouco tempo: diretamente da União Soviética, chega Ivan Drago, um gigante movido a anabolizantes pra cavalo dono de um soco destruidor. Apollo Doutrinador faz uma visita a Rocky e avisa que pretende desafiar Drago; decisão da qual ele se arrependerá amargamente muito em breve. Afinal, se ele queria bancar o George Foreman, deveria ter lançado uma linha de eletrodomésticos, e não voltado aos ringues depois de velho (pra quem não sacou a referência: antes de ser garoto-propaganda da Polishop, Foreman recuperou o cinturão dos pesos pesados aos 45 anos, idade considerada avançada para um pugilista).

Paralelamente a isso, Paulie inicia uma estranha relação com seu robô, que agora busca cerveja pra ele e o chama de meu amor com uma voz feminina. Mas isso não influi na história; eu estou divagando, voltemos ao que interessa.

Durante a coletiva de imprensa, Apollo conta vantagem e se pavoneia enquanto Drago permanece num silêncio absoluto, e o clima esquenta quando o técnico do russo chama o Doutrinador de velho.

Chega o momento da grande luta, que tem até um show do rei do soul, Mr. James “Sex Machine” Brown em pessoa, durante a entrada triunfal de Apollo. Mas na hora do sapeca-iaiá esse carnaval todo não impressiona o russo, que pronuncia a primeira das pouquíssimas falas que dirá ao longo do filme: “vai perder”. Logo no primeiro round, o que deveria ser apenas uma demonstração se torna uma carnificina. Movido pelo orgulho, o Doutrinador faz Rocky prometer que não jogará a toalha em hipótese alguma.

O soviético maluco mata Apollo de tanta pancada no segundo round (e não é no sentido figurado. Ele leva o sujeito a óbito mesmo; acho que ninguém explicou a Drago o significado da palavra “exibição”), e enquanto seu adversário estrebucha no ringue, ele pronuncia sua segunda fala: “eu derroto qualquer homem. Em breve vou derrotar o verdadeiro campeão. Se morrer, morreu”. Grande orador, esse russo.

Sem tempo pra dramas, Rocky anuncia que enfrentará Ivan Drago na Rússia no dia 25 de dezembro. Segue-se a isso uma desnecessária montagem com várias cenas dos filmes anteriores ao som de um hard rock extremamente motivador. Começam os preparativos pra viagem e, enquanto nosso herói dá lições de sabedoria a Rocky Jr, Paulie discute sua relação com o robô.

Na Rússia, com neve por todo lado e mais hard rock comendo solto, Rocky se isola em uma casa no meio do nada, dando início a um treino rústico que inclui correr na neve, cortar lenha e puxar trenós, enquanto Drago treina numa academia high-tech (pra época) cheia de luzinhas piscantes e tem anabolizantes injetados em suas veias.

Corta da montagem de treino pra uma cena romântica da chegada de Adrian, e volta a montagem de treino com ainda mais hard rock, e terminando com Balboa deixando o carro dos agentes soviéticos que o vigiavam para trás na corrida e escalando uma montanha pra gritar várias vezes o nome de seu adversário lá de cima (eu, hein?).

Chega o momento da luta, que tem até um sósia do Mikhail Gorbachev na platéia, e nosso herói é hostilizado por praticamente todos os presentes nas arquibancadas. Antes da luta, Ivan Drago pronuncia sua terceira fala: “vou vencer”.

E só pra variar, Rocky Balboa apanha; mas dessa vez apanha muito mesmo. Só que, quando começa a revidar, faz um estrago no gigante, que no fim sucumbe à potência da pata do sul. E não é que a resistência de Balboa cativa os comunistas? Lá pro décimo round, todos estão gritando seu nome — isso deixa Drago putinho e ele dispara umas merdas em russo. Após a vitória, Rocky faz um discurso pacifista, que provavelmente contribuiu pro fim da Guerra Fria e deixou o Gorbachev boladão.

E é isso, pessoal. Apesar do tom excessivamente patriota o tornar meio ridículo, esse é um dos filmes mais legais da série, principalmente porque depois veio o Rocky 5, que é uma merda sem tamanho… mas isso é assunto pra próxima resenha.

Rocky 4
País/ano de produção: EUA, 1985
Duração: 91 minutos
Direção: Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Carl Weathers, Dolph Lundgren, Brigitte Nielsen