Assunto de família — Uma obra de Will Eisner

“ Em um período de vinte e quatro horas, os segredos mais sombrios de uma família são revelados. Em um período de vinte e quatro horas, memórias há muito suprimidas vêm à tona — traição, depravação, ganância, incesto, e coisas ainda piores.
Em um período de vinte e quatro horas, uma família estremecida se reúne, simplesmente para ser destroçada.
Em um período de vinte e quatro horas, conheça uma família que poderia viver na casa ao lado — ou, até mesmo, ser a sua própria família.”

É bem possível que você, leitor, já tenha ouvido falar de Will Eisner. Se você for fã de histórias em quadrinhos, com toda a certeza já ouviu. Se não, ainda vai ouvir, e muito! E para quem não está acostumado com a narrativa em quadrinhos, saiba que Will Eisner é simplesmente o fundador e pai da graphic novel, ou, as novelas gráficas, nome comumente usado para designar as histórias em quadrinhos um pouco mais longas. E é sobre uma graphic novel dele que eu vou falar neste breve texto: Assunto de Família.
“ Não existe ninguém igual a Will Eisner. Nunca existiu, e eu, em meus dias mais pessimistas, duvido muito que venha a existir.” — Alan Moore, criador de V de Vingança e Watchmen.
Como o próprio nome da HQ já diz, a obra fala sobre a família. Em apenas 80 páginas, vemos o encontro fenomenal entre os membros de uma família para o aniversário do velho patriarca. Em um período de 24 horas, a trama se desenrola a nos revela as mentiras, as paixões, traições, interesses e a ganância que envolve a trágica família.
Eisner, filho de imigrantes judeus, e nascido no Brooklyn, consegue trazer para a história um drama que poderia ser da minha família, da sua ou de qualquer outra pessoa (a vida, a família e as mazelas da cidade grande são peças fundamentais nas obras de Will Eisner). E ele faz isso de modo extraordinário. Seus desenhos urbanos, as expressões e movimentos dos personagens, assim como os seus diálogos e pensamentos, são de tamanha fluidez, que em momento algum a leitura deixa de ser interessante. Eisner cria uma narrativa, assim como em todas as suas outras obras, que conduz os olhos e nos leva para dentro de uma trama simples, mas ao mesmo tempo complexa. Quase uma receita pronta para um filme.
Em 80 páginas, Eisner apresenta os cinco filhos, o patriarca e por fim explora seus passados de forma rápida e simples, sem enrolação. E tudo isso leva a um final arrebatador, pesado e sentimental. A obra poderia ter mais páginas e se aprofundar ainda mais, mas com a maestria narrativa de Eisner, a HQ se sustenta por si só e nos dá um final fechado, que nada perde para seus outros trabalhos.
A edição brasileira foi publicada pela Devir em 2009, em formato brochura com 80 páginas em preto e branco.
